Em 18/12/2025, a Braskem anunciou a assinatura, com a Petrobras, de um conjunto de contratos de longo prazo de suprimento que ancoram seu parque industrial a partir de 2026. O acordo contempla: (i) nafta para as plantas de SP, BA e RS, com vigência de 5 anos (01/01/2026) e preços referenciados à nafta ARA, prevendo retirada mínima mensal e possibilidade de volumes adicionais de até 4,116 mi t em 2026 e até 4,316 mi t em 2030; (ii) etano/propano/hidrogênio para o RJ, com vigência de 11 anos (01/01/2026) e preços atrelados a Henry Hub e Mont Belvieu; de 2026 a 2028 mantém-se a quantidade atual a partir da Reduc, e de 2029 a 2036 a quantidade sobe para 725 mil t/ano em eteno equivalente, com fornecimento a partir da Reduc e/ou do Complexo Boaventura; e (iii) propeno proveniente da Reduc, Recap e Refap, com vigência de 5 anos a partir de 18/05/2026, volumes escalonados e preços referenciados a índices internacionais.

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O pacote consolida a estratégia industrial já anunciada para o Rio de Janeiro: ao travar, por 11 anos, a matriz gás (etano/propano) com referências internacionais transparentes, a companhia cria previsibilidade de custo e dá lastro ao aumento de capacidade local. É a continuidade do investimento de R$ 4,2 bilhões no RJ condicionado a funding e a contrato de etano com a Petrobras, que prevê ampliar a produção de eteno e PE até 2028. Na prática, o patamar de 725 mil t/ano em eteno equivalente a partir de 2029 encaixa-se como a “fase de suprimento” necessária ao ramp-up, reduz risco de matéria-prima e prepara a central para operar com maior competitividade estrutural via gás. Em paralelo, os contratos de nafta para SP/BA/RS e de propeno nas refinarias reforçam a continuidade operacional das demais cadeias, compondo um portfólio de insumos mais equilibrado entre gás e líquidos.

Estratégica e financeiramente, o movimento endereça dois pontos críticos do ciclo petroquímico: reduzir a exposição ao spread de nafta e suavizar a volatilidade de caixa com contratos multianuais e referências de mercado. Ao alinhar preços a benchmarks globais (ARA, Henry Hub, Mont Belvieu) e firmar mínimos contratuais, a Braskem amplia a visibilidade de margens, sobretudo no Brasil, em um ambiente ainda de spreads comprimidos. Esse passo dá sequência à agenda de transformação industrial e de resiliência operacional já evidenciada nos resultados do 3T25, que destacaram a preparação para migrar parte do cracking para etano e a redução gradual da dependência de nafta, combinando eficiência, defesa comercial doméstica e reforço de liquidez para atravessar o downcycle com menor fricção.

É igualmente relevante notar o descolamento saudável entre a trilha operacional e a agenda societária. Enquanto acionistas e credores discutem eventuais reconfigurações de controle, a administração avança em contratos de suprimento essenciais para a competitividade de longo prazo. Esse paralelismo já havia sido sublinhado na exclusividade firmada em 15/12 com FIDC/IG4, quando se reforçou a separação entre rearranjos societários e a execução do plano industrial. Em outras palavras, os acordos hoje anunciados reduzem incertezas operacionais e ancoram a curva de recuperação de margens, independentemente do ritmo das discussões acionárias, encurtando a distância entre projeto, matéria-prima e geração de valor até o ciclo setorial normalizar.

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