PRIO (PRIO3) aprovou um novo Programa de Recompra de Ações de própria emissão nesta quarta-feira, 17 de dezembro de 2025, autorizando a aquisição de até 86.945.579 ações ordinárias (até 10% do total), com prazo de execução de 18 meses, até 17 de junho de 2027. O objetivo é maximizar a geração de valor por meio de gestão eficiente da estrutura de capital, com possibilidade de manutenção em tesouraria, posterior alienação ou cancelamento, além do uso de derivativos com liquidação física ou financeira referenciados em PRIO3. A execução poderá ocorrer pela própria PRIO ou por subsidiárias, a preços de mercado, em conformidade com a Resolução CVM 77/2022. Na mesma data, a companhia informou 821.220.015 ações em circulação e 59.202.762 em tesouraria; as operações poderão ser intermediadas por BTG Pactual, Itaú, XP, Santander e Citi.

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Na prática, o anúncio sinaliza um ciclo de retorno ao acionista ancorado na redução do número de ações e na disciplina de alocação. Ele dá continuidade ao cancelamento de 26,89 milhões de ações em tesouraria aprovado hoje, que reduz estruturalmente a base acionária e melhora métricas por ação sem alterar o capital social. Ao combinar uma janela de recompra de 10% com eventuais cancelamentos subsequentes, a PRIO desenha um mecanismo recorrente para capturar a geração de caixa em momentos oportunos, preservando flexibilidade financeira. A possibilidade de executar via subsidiárias e ajustar a exposição com derivativos aumenta a eficiência de execução e a proteção de preço, enquanto a referência explícita à regulamentação da CVM reforça governança e previsibilidade do programa ao longo dos 18 meses.

Do lado operacional-financeiro, a sustentabilidade desse programa decorre da maior visibilidade de volumes e da trajetória de queda estrutural de custos, que aumentam o potencial de fluxo de caixa livre. A normalização de Peregrino, a agenda de eficiência logística e de manutenção, a renegociação de contratos e a diluição de custos fixos, somadas à entrada de Wahoo em 2026, formam a base para recompras consistentes sem comprometer o pipeline de projetos — uma diretriz detalhada na queda projetada de 49% no OPEX de 2026 e avanço de Peregrino/Wahoo detalhados no PRIO Day 2025. Com custos unitários menores e volumes adicionais, a companhia tende a ampliar a previsibilidade de caixa, permitindo alternar entre recompras para tesouraria e cancelamentos definitivos em ondas, conforme maturidade operacional, janelas de mercado e metas de alocação de capital.

Em paralelo, a gestão da estrutura de capital em 2025 alongou passivos e reduziu o custo médio da dívida, criando “munição” para políticas de retorno ao acionista sem pressionar a liquidez dos projetos. Essa engenharia financeira — emissão de debêntures com swap, bonds em outubro e recompra parcial das notas 2026, com custo médio de 6,35% e duration de 2,78 anos — foi apresentada nos resultados do 3T25 com funding competitivo em debêntures e bonds e transição em Peregrino. Em conjunto, eficiência operacional, funding previsível e disciplina societária convergem para uma estratégia de criação de valor por ação: recompras oportunísticas, conversões em cancelamento quando fizer sentido econômico e preservação da capacidade de investimento, fortalecendo o alinhamento de longo prazo com a base acionária.

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