Nesta terça-feira, 16 de dezembro de 2025, a Raízen (RAIZ4) informou que a S&P National Ratings rebaixou o rating de crédito em escala nacional de 'brAAA' para 'brAA+', com perspectiva negativa. O fato relevante, assinado pelo CFO e DRI Lorival Nogueira Luz Jr., reforça que o eixo local também entrou em modo de maior prudência, com impactos potenciais sobre spreads, cláusulas financeiras e custo de capital. Em termos estratégicos, o downgrade no Brasil aumenta a exigência de execução do plano de desalavancagem, conversão de EBITDA em caixa e disciplina de portfólio ao longo da safra. O movimento consolida a escalada de cautela no mercado doméstico, iniciada pela mudança de perspectiva da Moody’s Local para negativa, com manutenção do AAA.br.
Sob a ótica internacional, a perda de fôlego do crédito já havia sido antecipada pelas agências globais, deslocando o debate de liquidez disponível para a trajetória de alavancagem e geração de caixa após capital de giro. Em poucos dias, a companhia viu subir o escrutínio sobre métricas e governança de passivos, com maior sensibilidade de spreads e janelas de captação mais seletivas, especialmente na entressafra. Esse contexto ganhou peso com o rebaixamento do rating global para Ba1, que retirou o investment grade e elevou a régua de execução.
Além da fotografia macro de crédito, há efeitos mecânicos: cada degrau de rating altera o preço da liquidez comprometida. A própria Raízen explicitou que o RCF de US$ 1 bilhão tem margem escalonada por rating, afetando tanto o commitment fee quanto o custo de eventual utilização. Em outras palavras, manter linhas disponíveis fica mais caro quando a nota cai, o que reforça a importância de acelerar monetizações, calibrar capex e normalizar capital de giro. Essa régua foi detalhada no detalhamento do custo do RCF atrelado ao rating, criando accountability sobre o impacto financeiro de downgrades.
Do lado do equity, a percepção de risco já vinha se traduzindo em preço, exigindo respostas coordenadas de RI e execução operacional. Na semana passada, a companhia foi notificada pela B3 por negociar abaixo de R$ 1,00, devendo apresentar plano e cronograma para reenquadramento até maio de 2026 — um lembrete de que crédito e bolsa dialogam. O episódio do desenquadramento do preço mínimo na B3 conecta-se ao downgrade de hoje e torna ainda mais relevante a atuação do novo CFO/DRI na orquestração entre desalavancagem, liquidez e comunicação de metas verificáveis. A consistência desses entregáveis será o vetor para estabilizar perspectiva e recuperar apetite do mercado.







