Nesta quarta-feira, 12 de novembro de 2025, a Raízen informou que a Moody’s Local Brasil manteve os ratings AAA.br, mas revisou a perspectiva de estável para negativa. Na prática, o grau de investimento local foi preservado, porém sob maior escrutínio sobre desalavancagem, conversão de caixa e execução operacional nos próximos trimestres. Este movimento consolida a escalada de cautela iniciada no eixo global, com a revisão para rebaixamento do rating global Baa3 anunciada pela Moody’s em 30 de outubro, e redireciona a atenção do mercado para a capacidade de traduzir disciplina de portfólio e eficiência operacional em queda efetiva dos indicadores de dívida.

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Além de alinhar o tom do rating nacional à leitura mais prudente já em curso, a decisão conversa com sinais recentes de outras agências. Diferentemente de períodos em que a discussão se concentrava em liquidez pontual, agora prevalece a prova de execução: margens sustentáveis, capital de giro controlado e seletividade de capex. Nesse contexto, ganha peso a revisão da Fitch para 'BBB-' com observação negativa e manutenção de 'AAA(bra)', que reforçou a necessidade de acelerar a desalavancagem e proteger rentabilidade sobre volume. Em conjunto, os comunicados vão compondo uma narrativa de preservação do investment grade ancorada em simplificação societária, reciclagem de ativos e disciplina comercial.

Do lado operacional, a fotografia recente ajuda a explicar a mudança de perspectiva. A prévia operacional do 2T25/26 que expôs pressões de produtividade e priorização do mix açucareiro mostrou moagem maior, mas com ATR e TCH mais baixos, cogeração reduzida e foco em maximização de açúcar e retorno. Esse pano de fundo sugere que a normalização do crédito depende de maior geração de caixa após capital de giro, captura de eficiência na parada da refinaria na Argentina, ramp-up de tecnologias como E2G e continuidade do redesenho do parque com ativos de maior retorno, à medida que se aproxima a divulgação dos números auditados do trimestre. Em paralelo, a governança de funding segue central para sustentar o plano: alongamento de passivos, avaliação de alternativas de capital, reciclagem de ativos e transparência com o mercado — diretrizes sintetizadas no fato relevante de 10 de outubro que negou reestruturação de dívida e detalhou o colchão de liquidez, criando um trilho de execução para responder à nova perspectiva da Moody’s Local sem sacrificar projetos core.

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