Em 27 de novembro de 2025, a Raízen informou que a Moody’s Ratings rebaixou o rating corporativo de Baa3 para Ba1, mantendo a nota sob revisão para novo rebaixamento. A decisão retira a companhia do grau de investimento no eixo global e aumenta a pressão sobre custo de capital, governança de passivos e execução de desalavancagem. O fato relevante foi assinado por Rafael Bergman, CFO e DRI, e consolida uma trajetória de cautela que começou com a revisão para rebaixamento do rating global Baa3 anunciada em 30 de outubro, quando a agência indicou que passaria a testar a conversão de caixa e a trajetória das métricas de crédito.
O downgrade dialoga diretamente com a fotografia operacional e financeira recente, que já expunha a necessidade de transformar EBITDA em caixa e reduzir alavancagem. No trimestre anterior, a empresa registrou piora do resultado financeiro, impactos não recorrentes e alavancagem elevada, elementos que pressionam a leitura das agências e explicam a perda do investment grade global. Esse pano de fundo ficou claro no resultado do 2T25/26, com alavancagem de 5,1x e pressão no financeiro, quando a administração reforçou a prioridade em simplificação, eficiência e reciclagem de ativos para sustentar retorno e acelerar a queda da dívida.
Em paralelo, a companhia vinha erguendo defesas de liquidez para atravessar a entressafra e suavizar o risco de refinanciamento enquanto a desalavancagem não aparece nos números. A linha rotativa contratada com bancos de relacionamento assegura opcionalidade para capital de giro e execução de portfolio actions sem depender de janelas de mercado, compondo um colchão prudencial num momento de maior escrutínio das agências. Essa peça foi materializada pela renovação do RCF de US$ 1 bilhão por cinco anos, que alonga prazos, diversifica fontes e protege a operação, ainda que, por si só, não reduza a dívida nem substitua a necessidade de geração de caixa.
Com a perda do grau de investimento global, o custo de carregar e eventualmente utilizar essa liquidez comprometida tende a subir, tornando ainda mais crítico o ritmo de execução do plano de eficiência, normalização de capital de giro e monetização de ativos. A própria companhia já havia dado transparência à sensibilidade de preço da linha, ao detalhar que as margens do RCF escalam conforme o rating — um lembrete de que cada degrau de crédito impacta o spread e, portanto, o custo de proteção de liquidez. Essa régua foi descrita no detalhamento do custo do RCF atrelado ao rating, reforçando que a resposta ao downgrade passa por acelerar a conversão de EBITDA em caixa, calibrar capex seletivo e sincronizar desinvestimentos com a preservação de liquidez para reconstruir a trajetória de crédito.







