Na terça-feira, 16 de dezembro de 2025, a Alpargatas informou ter recebido correspondência do JPMorgan Chase & Co. reportando a venda de 1.618.899 ações preferenciais em 15/12, reduzindo a participação do grupo para 4,74% das PNs (16.299.546 ações). O informe, remetido nos termos do art. 12 da Resolução CVM 44/2021, detalha posição comprada física (16.299.546 PNs), posição comprada via equity swap (215 ações) e posição vendida via equity swap (16.354.502 ações). Segundo o JP Morgan, a movimentação tem motivação exclusiva de investimento e proteção de riscos, sem intenção de alterar controle ou estrutura administrativa.
O timing é central para entender o movimento. A redução ocorreu na véspera da data de corte para proventos de dezembro e dois dias antes do início do período ex-direitos, quando ajustes táticos em posições físicas e derivativos tendem a se intensificar entre investidores institucionais. Esse contexto dialoga diretamente com os dividendos intercalares e JCP aprovados em 11/12, com data de corte em 16/12 e ações ex a partir de 17/12. Em estruturas com equity swaps, é comum calibrar o balanço entre posições físicas e sintéticas para neutralizar efeitos de dividendos no preço, otimizar marcação a mercado e adequar exigências de margem e aluguel de ações em janelas de maior rolagem, como a virada do ano.
Além disso, quatro dias após a venda (19/12), a companhia materializou um segundo gatilho de fluxo ao liquidar a restituição em dinheiro da redução de capital — evento que também pode motivar realocação e hedge de carteiras por parte de players globais. Esse marco foi formalizado no pagamento da restituição de capital em 19/12/2025, consolidando um dezembro com calendário societário denso. Para participantes com operações casadas entre contado e derivativos, a combinação de proventos e restituição tende a gerar ajustes finos de exposição líquida, sem necessariamente refletir mudança de visão estrutural sobre a companhia.
Do ponto de vista de trajetória, a comunicação de hoje atualiza a presença do banco no capital da empresa e dá continuidade à interação iniciada no quarto trimestre. Em outubro, o grupo havia alcançado participação relevante, em um ambiente de recuperação operacional e narrativa de retorno ao acionista, como registrado na entrada do JPMorgan com 5,05% das PNs em 13/10. Desde então, a Alpargatas encadeou eventos que ampliam previsibilidade e liquidez — proventos, restituição de capital e execução disciplinada —, criando janelas naturais para reequilíbrio entre posições físicas e derivativas. O resultado é um padrão coerente com a mensagem do JP Morgan: gestão ativa de risco e investimento, sem intenção de influenciar a governança.







