A Alpargatas reportou um 3T25 robusto: lucro líquido de R$ 171 milhões, receita de R$ 1,1 bilhão e EBITDA ajustado de R$ 255,7 milhões (margem de 22,9%), o maior EBITDA trimestral da história, segundo a administração. No Brasil, Havaianas combinou queda de 3,1% no volume (51,6 milhões de pares) com alta de 6,9% na receita (R$ 872,1 milhões), melhora de 5,0 p.p. na margem bruta (49,2%) e EBITDA de R$ 258,6 milhões (+40% a/a). No internacional, volume +7,0% (4,9 milhões de pares), receita +9,0% (R$ 230,3 milhões), margem bruta de 63% (+3,0 p.p.) e EBITDA ainda negativo em R$ 5,8 milhões, porém melhor que trimestres anteriores, com avanços em Europa e EUA. O consolidado trouxe 56,6 milhões de pares (-2,3%), lucro bruto de R$ 585,7 milhões (+18,4%), CPV -2,4% e despesas operacionais -9,5% (marketing em 5,6% da receita). Este resultado consolida a virada operacional iniciada nos trimestres anteriores e testada nesta divulgação, em linha com a agenda do 3T25 e a disciplina de comunicação definidas em 6/10.
O desempenho também reforça a tese de eficiência e geração de caixa: foram R$ 205 milhões no trimestre e R$ 352 milhões em 12 meses, marcando dez trimestres consecutivos de geração positiva; a alavancagem segue em caixa líquido (-0,6x). Com portfólio mais racional, disciplina comercial e faseamento menor de marketing no 3T, a companhia sustentou margens e prepara um faseamento maior no 4T. Esse pano de fundo dá tração ao ciclo de retorno ao acionista, que inclui a redução de capital aprovada em setembro — com o rito regulatório de credores em curso — e posterior restituição, alicerçada na melhoria operacional e na menor necessidade de investimento após ajustes no modelo da América do Norte. Esse movimento é a continuidade lógica da redução de capital de R$ 850 milhões aprovada em setembro e do seu cronograma societário.
No eixo societário, a atração de capital sofisticado e a maior previsibilidade também aparecem no fluxo recente de investidores institucionais. Em outubro, um player global passou a deter participação relevante nas PNs, movimento típico de janelas com marcos claros (como a própria restituição de capital) e testes públicos de execução (caso da teleconferência de 07/11). A combinação de desalavancagem, geração recorrente de caixa e narrativa de transparência tende a ampliar liquidez e fornecer referência de preço em torno desses catalisadores, conectando governança, execução e retorno ao acionista. Esse efeito de validação no mercado secundário foi evidenciado pela entrada do JPMorgan com 5,05% das PNs em 13/10, alinhada ao ciclo de otimização de balanço e retorno ao acionista.







