ENGIE Brasil (EGIE3) informou que o Conselho autorizou medidas para analisar a eventual transferência, pela controladora EBP, de 40% das ações da Jirau Energia S.A. para a Companhia, e instalou um Comitê Especial Independente para transações com partes relacionadas. Jirau é titular da UHE no rio Madeira (RO), com 3.750 MW. A operação está em avaliação, sem definição de estrutura, termos ou condições; entre as alternativas, cogita-se o aporte dessa participação no capital da Companhia. O desenho de governança dá continuidade ao comitê especial independente no consórcio para o Leilão de Transmissão 04/2025. A criação do comitê agora busca assegurar simetria de informação, avaliação de preço justo e mitigação de conflitos entre holding e listada, com recomendações técnicas antes de qualquer compromisso vinculante. O comunicado também reitera a prática de avançar somente com decisões formais e divulgação tempestiva ao mercado.
Se avançar, a internalização de Jirau ampliaria o peso hídrico com capacidade de modulação e contratos de longo prazo, atenuando a variabilidade de eólicas e solares e complementando a frente regulada de transmissão. Em 2025, a companhia destacou um ambiente de maior restrição energética e projeções de curtailment crescentes, tornando mais valiosos ativos que entregam firmeza e flexibilidade de despacho, como indicado no diagnóstico de curtailment e necessidade de reforçar previsibilidade e modulação hidrelétrica. Ao combinar hidrelétricas com redes, a ENGIE reduz ciclicidade e sustenta Ebitda recorrente; a eventual transferência de Jirau, se aprovada, seria um passo nessa direção, potencialmente facilitando contratações e gestão de riscos no mercado livre, sempre condicionada às recomendações do comitê e à estrutura final da operação.
Do ponto de vista financeiro, a alternativa de aporte em capital preserva caixa e se alinha ao uso de instrumentos societários não caixa adotados neste ciclo, como a bonificação de 40% que reforçou o capital próprio sem consumo de caixa. Esse arranjo manteria flexibilidade para investimentos em transmissão e renováveis sem pressionar alavancagem ou payout, caso a transação avance, além de dialogar com a disciplina de capital que vem sustentando a remuneração aos acionistas. Esse compromisso ficou evidente nos dividendos intercalares aprovados em dezembro de 2025 que reforçam a consistência do payout, sustentados por maior previsibilidade operacional e diversificação regulada. Em conjunto, governança rigorosa, reforço de capital próprio e busca por ativos estáveis compõem a lógica estratégica que embasa a avaliação da possível transferência de Jirau.







