Em 8 de dezembro de 2025, a AXIA Energia (ex-Eletrobras) informou que o Conselho de Administração aprovou, condicionada à deliberação da AGE de 19/12, a capitalização de R$ 30,0 bilhões da Reserva de Lucros, com emissão de 606.796.117 ações preferenciais classe C (PNC) distribuídas gratuitamente na proporção de 0,2628378881074 PNC por cada ação ON, PNA ou PNB em circulação. Com o aumento, o capital social passará a R$ 100,135 bilhões. A data-base é 19/12; a partir de 22/12, os papéis serão negociados ex-bonificação e as PNCs iniciarão negociação na B3 na mesma data, com inclusão na posição dos acionistas em 26/12. O benefício alcança também os ADRs. A companhia destaca que a medida viabiliza a distribuição de parte da reserva, reforça a disciplina de alocação de capital e evita diluição. Este passo dá forma prática ao desenho societário apresentado na arquitetura PNC/PNR e bonificação submetidas à AGE de 19/12.

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Pelas regras anunciadas, as PNCs terão direito de voto (um voto por ação), igualdade de condições com ON (e com a golden share) na distribuição de dividendos, prioridade no reembolso de capital sem prêmio, tag along de 100% e natureza transitória, com conversão automática e escalonada em ON até 2031. Haverá limites de conversão para evitar concentração acima de 15% do capital votante, com resgate automático do excedente, além de possibilidade de resgate por deliberação do Conselho, assegurada opção de conversão na parcela objeto de resgate. Para preservar o prêmio econômico histórico das preferenciais, a administração estruturou conversões mandatórias de PNA e PNB em PNA1/PNB1 e em PNR, estas resgatadas imediatamente por valor em moeda equivalente a 10% acima do valor atribuído por ação na bonificação; PNA1/PNB1 manterão os direitos das classes originais e passam a ter tag along de 100%. Ao alinhar “one share, one vote” e cronograma de unificação até 2031, o movimento consolida os estudos para migração ao Novo Mercado e a ponte de conversão até 2031.

No operacional e fiscal, o custo atribuído às PNCs recebidas será de R$ 49,44 por ação. Frações poderão ser agrupadas entre 26/12/2025 e 25/01/2026; ao fim, o saldo será leiloado na B3 e o produto distribuído proporcionalmente. A efetiva implementação das conversões, do resgate das PNRs e da bonificação depende da aprovação da AGE. Do ponto de vista de alocação de capital, a bonificação por capitalização de reserva distribui valor sem pressionar caixa nem diluir acionistas, preservando liquidez para o ciclo intensivo de CAPEX em transmissão e convivendo com a régua de remuneração já sinalizada no ano, como os R$ 4,3 bilhões em dividendos intermediários aprovados em novembro de 2025. Em conjunto, a empresa combina previsibilidade regulada, disciplina de balanço e evolução de governança rumo à unificação acionária.

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