O GPA (PCAR3) assinou, em 5/12/2025, contrato para vender sua participação, direta e indireta, na Financeira Itaú CBD (FIC) ao Itaú Unibanco por R$ 260,1 milhões, pagos à vista no fechamento, sujeito a ajustes de preço e aprovações regulatórias. A companhia informou que os cartões co-branded (Itaú/GPA) seguem válidos até seus vencimentos, e que a saída da FIC abre espaço para novas parcerias em serviços financeiros e para a operação dos "Balcões GPA" em mais de 730 lojas e no e-commerce alimentar. O movimento integra o plano de redução da alavancagem, com reforço de capital e foco em melhorar a estrutura financeira.

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Este desinvestimento dá continuidade a um processo já sinalizado ao mercado, desde a confirmação das negociações em curso sobre a FIC em 21 de novembro. Na prática, a transação encerra um arranjo societário antigo e libera o GPA para redesenhar sua proposta de serviços financeiros dentro das lojas e no digital, potencializando monetização via balcões, programas de fidelidade e ofertas de crédito e proteção ao consumidor em modelo de parcerias. O timing também reduz incerteza sobre governança do ecossistema de meios de pagamento e permite rapidez na implantação da nova operação logo após o fechamento, preservando a experiência do cliente durante a transição dos cartões co-branded existentes.

Além de coerente com a agenda operacional, a venda da FIC se soma aos passos recentes de gestão do passivo, como a operação de € 75 milhões com o Rabobank que alongou o vencimento para 2028. A combinação de alongamento de dívida (menor pressão de caixa no curto prazo) com entrada de recursos à vista (R$ 260,1 milhões, sujeito a ajustes) encurta o caminho da desalavancagem e melhora a flexibilidade para negociar novas parcerias financeiras em condições mais favoráveis. Essa sequência reforça a disciplina de capital e reduz o risco de refinanciamento, criando um pano de fundo mais estável para capturar o tráfego mensal acima de 20 milhões de clientes com ofertas financeiras mais rentáveis e segmentadas.

Estratégicamente, a decisão também está alinhada ao Plano de Eficiência para 2026 (capex de R$ 300–350 mi e corte de ao menos R$ 415 mi), que prioriza ROIC, produtividade de lojas e geração de caixa. Ao reforçar a estrutura de capital sem recorrer a capitalizações, o GPA sustenta a virada baseada em eficiência e governança financeira, enquanto os novos balcões e parcerias podem agregar margens de serviços sem elevar o capex. Em conjunto, a transação da FIC, o redesenho do ecossistema financeiro e a disciplina de custos compõem um mesmo enredo: reduzir alavancagem, estabilizar o balanço e monetizar o relacionamento com clientes com menor intensidade de investimento.

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