O Assaí (ASAI3) firmou documentos definitivos para sair, em duas etapas, da Financeira Itaú CBD (FIC). Na primeira fase, Itaú compra as participações de GCB e CBD; na segunda, dois anos após esse fechamento, adquire a participação indireta do Assaí, tornando-se acionista único da FIC. Pela venda de sua fatia indireta, o Assaí deverá receber cerca de R$ 260 milhões (sujeito a ajustes). As duas fases dependem de aprovações do CADE e do Banco Central. Até o fim da exclusividade de dois anos, a FIC segue sendo a parceira exclusiva para os produtos financeiros hoje ofertados à base de clientes, e os cartões co-branded Itaú/Assaí continuam válidos. Paralelamente, a companhia poderá negociar novas avenidas de distribuição de serviços financeiros, direta ou via novos parceiros, em bases a serem pactuadas.
Estratégicamente, a operação combina monetização de ativo não essencial, manutenção de receitas de serviços no curto prazo e criação de opcionalidade no médio prazo. O movimento dá continuidade à disciplina de capital e ao foco no core do atacarejo, alinhando liquidez com execução operacional e preservação de margens — diretrizes já explicitadas no guidance para 2026, com capex de cerca de R$ 700 milhões e 10 aberturas. Ao sequenciar a saída em duas fases, o Assaí suaviza a transição do ecossistema financeiro, mantém relacionamento com a base de clientes e preserva poder de barganha para redesenhar parcerias ao final da exclusividade, sem romper a jornada de maturação de lojas e desalavancagem.
Do ponto de vista financeiro, a entrada de aproximadamente R$ 260 milhões reforça a geração de caixa orgânica e encurta o caminho para uma estrutura de capital mais leve. A escalada de iniciativas que reduzem dependências e liberam caixa converge com a melhoria operacional recente, criando um colchão para negociar novos acordos financeiros a partir de uma posição de força, preservar ROIC e manter custos de capital sob controle. Esse pano de fundo dialoga com os resultados do 3T25, com alavancagem de 3,03x e geração de caixa livre de R$ 3,1 bi, nos quais a companhia já havia demonstrado capacidade de converter execução em caixa e sustentar margens sem recorrer a movimentos extraordinários.
Além disso, a sujeição da transação a CADE e BACEN reforça o padrão de governança e a previsibilidade regulatória que a empresa tem exibido em eventos societários recentes. A separação por fases, os compromissos de exclusividade temporária e a manutenção do atendimento aos clientes reduzem riscos concorrenciais e de execução, ao mesmo tempo que ampliam as opções estratégicas no ecossistema de serviços financeiros. Esse rigor é consistente com a postura adotada na entrada de novos investidores setoriais — com exposição econômica via derivativos e sujeição ao crivo antitruste — descrita no comunicado de participação relevante de 26/11/2025, com submissão ao CADE. Em conjunto, a venda escalonada da FIC funciona como capítulo adicional de uma narrativa de continuidade: caixa reforçado, governança regulatória sólida e foco no core, preparando o terreno para parcerias financeiras mais eficientes quando a exclusividade se encerrar.







