Com ROE recorrente de 13,6% no 9M25, carteira de crédito de R$ 23,5 bi e captação total de R$ 34,0 bi, o Banco BMG apresenta um 2025 que combina recuperação de rentabilidade e execução disciplinada. O recorte histórico mostra a virada: o ROE saiu de 5,2% em 2023 para 10,7% em 2024 e avança a 13,6% no acumulado até setembro, sustentado por um mix focado em produtos consignados (72% da carteira), estratégia de cessões recorrentes no consignado, 4,9 milhões de cartões consignados/benefício e evolução do crédito pessoal com 95% dos clientes recebendo benefício no BMG. A inadimplência acima de 90 dias caiu substancialmente na comparação anual (3,9% no 3T25 vs. 5,6% no 3T23), enquanto o índice de produtos por cliente subiu para 2,28. Esses vetores dialogam diretamente com a base de funding mais diversificada e institucionalizada evidenciada no resultado do 3T25, que mostrou captação de R$ 34 bi e 38% de funding institucional, reforçando a previsibilidade do balanço.
No passivo, a narrativa do documento é a materialização de uma agenda de reprecificação e alongamento. Além de reduzir a dependência de CDBs (-12% YoY) e ampliar LFs e securitizações (+38% YoY), o banco vem construindo uma curva de preço com emissões públicas: operações lastreadas em cartões consignados comprimiram spreads de CDI+2,25% (out/23) para CDI+1,00% (jun/25), enquanto as LFs de 2024-25 calibraram vértices de 2 e 3 anos. Esse encadeamento culminou na 7ª emissão de Letras Financeiras concluída a CDI + 1,35% a.a. no vértice de ~2 anos, o menor prêmio do banco, que serve de âncora para novas ofertas, diversifica a base de investidores e reduz a volatilidade do custo de funding, alinhando passivos ao ciclo do consignado e protegendo a margem.
Do lado do capital, a robustez para sustentar crescimento seletivo e o avanço do ROE em 2025 não ocorreram no vácuo. A combinação de geração orgânica, receitas menos voláteis (seguros com 9,6 milhões de apólices) e disciplina de risco foi alavancada por um pilar societário: a homologação do aumento de capital pelo Bacen em 03/11, que reduziu incertezas sobre Basileia, viabilizou prazos mais longos no funding e deu previsibilidade à originação nos produtos core. Esse rearranjo equilibra solvência e retorno ao acionista, permitindo ao BMG priorizar a alocação em consignado, crédito pessoal com vínculo de benefício e atacado seletivo, ao mesmo tempo em que descontinua frentes não core, como o consignado nos EUA.
A previsibilidade operacional também foi consolidada pelo reforço de governança no principal canal de originação. O Termo de Compromisso com o INSS para continuidade do consignado e formalização por videochamada padronizou fluxos, reduziu assimetrias e tende a diminuir fraudes e retrabalho, contribuindo para a trajetória de queda da inadimplência (3,9% no 3T25, de 5,6% no 3T23). Com base comercial de mais de 9 milhões de clientes, 40% de autocontratação e produtos por cliente em alta, o banco cria terreno para as alavancas destacadas para 2025 — ampliar mercado endereçável, aumentar o cross-sell e aplicar IA para eficiência —, fechando o ciclo em que capital, funding, risco e receita recorrente caminham na mesma direção.







