O Banco BMG (BMGB4) reportou lucro líquido de R$ 148 milhões no 3T25, com NIM de 16,5% (10,6% após o custo de crédito) e inadimplência acima de 90 dias em 4,0% — melhora frente aos 4,6% do 2T25. A carteira totalizou R$ 23,5 bilhões, com destaque para consignados (R$ 16,9 bi), cartões consignados (R$ 13,1 bi) e avanço no Atacado (+3% t/t). Apesar do recuo sequencial da carteira, o índice de cobertura ficou em 197,3% e o lucro superou o 3T24 (R$ 116 mi), refletindo mix mais rentável e disciplina de risco. Esse resultado consolida a recomposição de capital e a previsibilidade de originação viabilizadas pela homologação do aumento de capital pelo Bacen em 03/11, que reduziu incertezas sobre Basileia e deu fôlego para manter foco em produtos core e geração sustentável de resultados.

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Do lado do passivo, a captação atingiu R$ 34,0 bilhões, com 38% de participação institucional (alta de 40% YoY), LCR de 497% e NSFR de 121%. O banco destacou menor dependência de depósitos a prazo (-9 p.p.) e o contexto regulatório do trigger do FGC (>75%, com transição para 60% a partir de jun/26), fatores que favorecem custo de funding mais competitivo. Esse movimento dá continuidade ao alongamento de prazos e diversificação da base de investidores observado ao longo de 2025, em linha com a 7ª emissão de Letras Financeiras aprovada em outubro, que testou duration maior e reforçou a migração para funding mais estável e institucional.

No crédito, a qualidade seguiu estabilizando: inadimplência over 90 caiu para 4,0% (de 4,6% no 2T25), o NIM após custo manteve-se em 10,6% e o banco reforçou medidas de controle e padronização da originação. O varejo PF encolheu no trimestre (R$ 2,38 bi), enquanto o crédito pessoal — majoritariamente com recebimento de benefício no BMG — cresceu, e houve forte redução em antecipação de FGTS, apoiada por cessões (R$ 556 mi e R$ 1,2 bi). Essa previsibilidade operacional conecta-se ao Termo de Compromisso com o INSS para continuidade do consignado e formalização por videochamada, que reduz fraudes e retrabalho, melhora governança e tende a baixar o custo de risco ao longo do tempo, reforçando a estratégia de crescer com menor volatilidade.

Receitas menos voláteis também sustentaram o trimestre: em seguros, os prêmios comercializados somaram R$ 258 milhões (emitidos de R$ 97 mi) e o lucro chegou a R$ 45 milhões, com 9,6 milhões de apólices e a conclusão da compra dos 40% remanescentes da Bmg Seguradora em set/25 — com reconhecimento retroativo desde abr/25. A maior relevância de seguros, combinada a capital reforçado e funding mais longo, vem sendo reconhecida externamente, como na perspectiva elevada para positiva pela Moody’s Local, que havia destacado a melhoria estrutural de rentabilidade e a diversificação de funding. Para os próximos passos, o BMG projeta cerca de 900 lojas help! em 2025, mantém alavancas de capital (geração interna, crédito tributário, cessões e JCP) e reafirma foco em produtos core e retorno recorrente ao acionista.

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