A Três Tentos atualizou o guidance, passando a detalhar 2026, retirando 2023 e 2024 e deixando de segmentar por estados. A companhia projeta originação total de 6,145 mi t em 2025 e 6,926 mi t em 2026, com foco em soja (4,105 e 4,800 mi t) e milho/sorgo (1,460 e 1,500 mi t). No complexo soja, o processamento estimado sobe de 2,560 mi t (2025) para 3,091 mi t (2026), resultando em 1,865/2,443 mi t de farelo e 680/911 mil t de óleo e/ou mil m³ de biodiesel. Para o milho em 2026, a empresa indica 719 mil t processadas, 781 mil t em trading, 190 mil t de DDGs e 298 mil m³ de etanol. Em paralelo, anunciou a aquisição da Grão Pará Bioenergia, em Redenção (PA), adicionando uma planta de etanol e DDG com conclusão prevista para o 2º semestre de 2028, sujeita a condições precedentes e ao CADE, além da continuidade da abertura de lojas no Pará e expansão em Tocantins, Goiás e Minas. Como visão de longo prazo, reiterou a aspiração de receita líquida de R$ 50 bilhões até 2032.

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Na prática, a inclusão de metas de 2026 e a entrada no Pará ampliam o arco de verticalização e logística Norte, conectando originação no Vale do Araguaia ao processamento (soja e milho) e ao escoamento pelo Arco Norte. O movimento dá continuidade à trajetória que colocou etanol de milho, ampliação de crushing e terminal em Miritituba como pilares do plano, com 37 novas lojas para sustentar a originação e a distribuição regional — uma lógica geográfica e de cadeia que sustenta a captura de margens industriais e a redução do custo logístico ao longo do ciclo até 2030, conforme o Novo Ciclo de Crescimento 2024–2030 (capex de R$ 2,12 bi, usina de etanol no MT e terminal em Miritituba).

Os números reforçam uma cadência operacional: 2025 como ano de transição com foco em originação e processamento de soja; 2026 marcando a materialização de volumes do ecossistema de milho (etanol, DDG e óleo) e maior trading; e 2028 incorporando capacidade adicional com a planta de Redenção. A retirada da segmentação por estados e a manutenção das demais premissas do formulário sinalizam um guidance mais orientado por cadeias de valor do que por geografia, enquanto a empresa reforça que as projeções são estimativas e podem divergir. Esse desenho dialoga com a priorização do core industrial e o cronograma de rampa a partir de 2026, em linha com a realocação do CAPEX para acelerar etanol de milho e o core industrial.

A execução exige disciplina financeira num 2025 de maior intensidade de desembolsos e preparação de ativos para 2026–2028, especialmente quando há aquisições sujeitas a aprovação regulatória e integração de novas geografias. A previsibilidade de caixa, a diversificação de indexadores e o alongamento de prazos tornam-se essenciais para sustentar a construção da base industrial e a expansão comercial no Norte e no Centro-Oeste, reduzindo a volatilidade de basis durante o ramp-up. Esse trilho de funding foi reforçado com o encerramento da oferta de CRA de R$ 500 milhões em três séries, que casou vencimentos com a maturação dos projetos do ciclo 2024–2030.

No pilar de monetização e distribuição, a evolução dos volumes de óleo e do biodiesel no guidance reforça a necessidade de canais diretos no Centro-Oeste para capturar margens e reduzir custos de frete, conectando produção industrial ao mercado final de combustíveis. Ao mesmo tempo em que o corredor Norte ganha relevância com o Pará e Miritituba, a malha de distribuição regional viabiliza a venda recorrente e a previsibilidade de escoamento para a rampa de 2026–2027. Essa lógica já vinha sendo construída com a parceria com a Ipiranga para uma base de distribuição integrada à usina de biodiesel em Vera (MT), que adiciona padronização operacional e acelera a captura de valor do incremento de capacidade.

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