A atualização do Novo Ciclo de Crescimento 2024–2030 mantém o CAPEX total em R$ 2,12 bilhões, mas realoca recursos para acelerar o core industrial: o etanol de milho sobe de R$ 1.160 milhões para R$ 1.320 milhões e as Ampliações de R$ 260 milhões para R$ 320 milhões. Entre as frentes operacionais, a indústria de Cruz Alta/RS avança de 3.600 t/dia para 4.000 t/dia e Ijuí/RS passa a processar canola, sinalizando diversificação de matérias-primas e mitigação de riscos do ciclo agrícola. O cronograma foi atualizado para 27% em 2024 e 55% em 2025, com saldo até 2030, enquanto o Terminal de Miritituba (R$ 280 milhões) e 37 novas lojas (R$ 200 milhões) preservam a agenda logística e de originação. O ajuste consolida a execução e difere do cronograma apresentado na live Agro em pauta, que enfatizou disciplina financeira e detalhou o plano 2024–2030, quando se previa 39% dos desembolsos em 2025.

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A concentração de 55% dos desembolsos em 2025, acima do previsto originalmente, aumenta a importância de ter passivos alongados e custo de capital preservado para atravessar o pico de investimentos sem pressionar o balanço nem o capital de giro do agronegócio. Além de suavizar risco de taxa, estruturas que combinam séries pós e prefixadas tendem a casar geração de caixa com maturação industrial e logística, dando visibilidade ao ramp-up a partir de 2026. Nesse contexto, pesa a favor o encerramento da oferta de CRA de R$ 500 milhões em três séries, estruturada com indexadores distintos e vencimentos longos, que casa prazos de 5 a 7 anos com a maturação dos projetos. Ao ancorar o CAPEX com dívida securitizada lastreada em CPR-F, a companhia preserva flexibilidade financeira, reduz dependência de fontes específicas e dá previsibilidade ao ramp-up operacional a partir de 2026, mantendo as demais projeções do formulário de referência. O reforço de governança e o discurso de disciplina mitigam risco de execução em um ano de capex intensivo e sustentam a interlocução com credores e investidores.

Do ponto de vista estratégico, a realocação privilegia ativos que destravam captura de margens pela verticalização: etanol de milho com coprodutos (DDG/óleo), ampliação do crushing de soja, adaptação para canola e logística no corredor Norte via Miritituba. Essa arquitetura se conecta à monetização comercial no Centro-Oeste e à redução de custo de frete, pilares que ganharam tração com a parceria com a Ipiranga para uma base de distribuição integrada à usina de biodiesel em Vera (MT). Em conjunto, o reposicionamento de CAPEX e os elos logísticos reforçam a tese de integração produção–distribuição, aumentam a resiliência de margens e confirmam a continuidade da estratégia até 2030, com o lembrete de que as projeções são estimativas sujeitas a riscos e podem divergir dos resultados efetivos.

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