A Três Tentos apresentou o “Novo Ciclo de Crescimento” 2024–2030 com capex total de R$ 2,12 bilhões, detalhando: abertura de 37 lojas, uma usina de etanol de milho em Porto Alegre do Norte (MT) com investimento de R$ 1,3 bilhão e início de operação no começo de 2026, um terminal portuário em Miritituba (PA) via joint venture 50%/50% com a Caramuru (R$ 400 milhões até 2028, capacidade de 2 milhões t em 2026 e 5 milhões t em 2028) e ampliações industriais que elevam o crushing de soja de 6.600 t/dia para 10.800 t/dia e o biodiesel de 1.850 m³/dia para 3.000 m³/dia. A receita líquida atingiu R$ 12,8 bi em 2024 e somou R$ 12,1 bi nos 9M25 (+34% a/a, CAGR de 30,8%). Este movimento consolida a estratégia já comunicada de priorizar ativos que destravam captura de margens – em especial etanol de milho, ampliação do crushing e o corredor Norte –, conforme a realocação do CAPEX para acelerar etanol de milho e o core industrial.
O cronograma de desembolsos concentra 55% do capex em 2025 (além de 27% em 2024), com saldo até 2030. As fontes indicadas combinam 30% de geração de caixa, 45% de financiamentos e 25% em operações estruturadas, alinhando funding ao ramp-up industrial e logístico de 2026–2028. Essa arquitetura financeira foi pavimentada pelo encerramento da oferta de CRA de R$ 500 milhões em três séries, que alongou passivos com indexadores diversificados e prazos entre 2030 e 2032. Ao casar o ciclo de caixa com o pico de investimentos, a empresa cria previsibilidade para a execução do terminal em Miritituba, a conclusão da usina no MT e a expansão comercial (72 lojas atuais, avanço ao Vale do Araguaia e soluções digitais com 10.691 usuários do App 3tentos em nov-25), sustentando a tese de verticalização.
Em termos operacionais, o material atual sinaliza continuidade apesar de pressões de curto prazo. No 3T25, a companhia combinou receita recorde de R$ 5,0 bilhões (+42,9% a/a) com margens comprimidas na Indústria, efeito da curva de farelo frente à soja, e aumento da dívida líquida para R$ 1,58 bilhão impulsionado por capex na usina do MT (R$ 1,197 bi já desembolsados). Esses elementos configuraram um trimestre de transição, com proteção via derivativos e resultado financeiro positivo, conforme o 3T25: receita recorde, margens pressionadas e capex concentrado. O plano agora reforça que a captura de margens virá da entrada em operação do ecossistema de etanol (etanol, DDG e óleo), da ampliação do crushing e do escoamento pelo Norte, reduzindo custo logístico e volatilidade de basis.
No pilar logístico-comercial, a JV com a Caramuru em Miritituba cria o canal de escoamento para soja, milho e farelo, enquanto no Centro-Oeste a estratégia de verticalização ganha um elo de distribuição que aproxima a produção do mercado regional de combustíveis. Esse desenho conversa diretamente com a parceria com a Ipiranga para uma base de distribuição integrada em Vera (MT), que padroniza processos, reduz custo de frete e dá previsibilidade à monetização da capacidade adicional de biodiesel na rampa de 2026–2027. Em conjunto, a expansão para o Vale do Araguaia, o terminal no corredor Norte e as ampliações industriais formam uma trajetória coerente: originação fortalecida, processamento com escala e logística integrada para capturar valor de ponta a ponta até 2030.







