Em 27 de novembro de 2025, a Ultrapar respondeu ao Ofício nº 327/2025/CVM/SEP-GEA-1, motivado por reportagem do Brazil Journal que citou a montagem de uma posição na Rumo próxima de 5%, possivelmente via total return swap. A CVM solicitou esclarecimentos sobre a veracidade das informações e, se fosse o caso, a razão para não ter sido divulgado Fato Relevante sob a Resolução CVM 44/2021. A companhia reiterou sua natureza de holding de alocação de capital, afirmou estar atenta a oportunidades dentro e fora da bolsa e reforçou que divulgará eventuais fatos relevantes quando aplicável, observando a regulação. O ofício reproduziu trechos da notícia e estabeleceu envio da manifestação via Sistema Empresa.NET até 27/11/2025, sob pena de multa cominatória de R$ 1.000.
Do ponto de vista estratégico, o comunicado preserva opcionalidade e reforça a disciplina de alocação de capital típica da holding. Esse posicionamento conversa com o resultado do 3T25, que consolidou a agenda e reduziu a alavancagem para 1,7x, ampliando a folga financeira e a capacidade de avaliar movimentos seletivos em infraestrutura sem pressionar risco. Ao reduzir a alavancagem e ampliar a geração de caixa, a companhia ganhou margem para avaliar oportunidades em logística e infraestrutura sem comprometer métricas de risco. A hipótese de uma posição financeira em uma operadora ferroviária encaixa-se na narrativa de plataforma multimodal construída com Hidrovias, Ultracargo e Ultragaz, e explica o cuidado em comunicar apenas quando houver gatilhos regulatórios acionados.
Em continuidade à racionalização do portfólio, a Ultrapar vem reciclando capital e concentrando esforços em ativos de maior previsibilidade e sinergia operacional. Esse movimento foi evidenciado na conclusão da venda da operação de cabotagem em 3/11/25 — decisão que reduziu dispersão estratégica e aumentou a flexibilidade para realocar recursos em adjacências logísticas de maior retorno, como potenciais participações táticas em infraestrutura ferroviária. O desenho mostra consistência entre governança de disclosure e execução de portfólio.
Além disso, a forma de atuação recente indica preferência por estruturas de entrada modular e parcerias, com controle compartilhado e desembolsos escalonados, o que preserva disciplina e cria opcionalidade. Esse padrão reforça a coerência de avaliar instrumentos financeiros (como TRS) antes de decisões societárias mais profundas, e ficou evidente na aquisição de 37,5% da Virtu GNL, que expandiu a presença em logística de energia de baixo carbono e ilustrou a estratégia de adjacências com sinergias operacionais. Assim, o comunicado atual parece menos um desvio e mais a continuidade de uma tese: fortalecer a malha logística-energética com disciplina de capital, aproveitando janelas de mercado e mantendo o rigor regulatório no disclosure.







