A Energisa reportou que o consumo consolidado nas concessões somou 3.853,0 GWh em outubro de 2025, leve queda de 0,1% ano a ano, enquanto o acumulado de janeiro a outubro atingiu 35.554,2 GWh, alta de 1,0%. O mês foi impactado por temperaturas mais amenas frente a outubro de 2024 e por um calendário de faturamento 0,3 dia menor na média do Grupo; desconsiderando esses efeitos, o mercado avançaria 0,1%. Por classe, a indústria cresceu 4,5%, o segmento residencial (41% do consumo do Grupo) recuou 0,6%, o rural caiu 3,1% e o comercial diminuiu 1,7%. Entre as distribuidoras, houve queda em seis de nove empresas (EMS -4,5%, ERO -4,3% e EAC -6,5%), enquanto EPB (+3,7%), EMT (+2,7%) e ESE (+1,4%) avançaram. A compensação de mini e microgeração foi relevante: 281,0 GWh no mês (+97,0%) e 2.015,0 GWh no ano (+141,5%); sem essa compensação, o mercado teria recuado 3,9% no mês e 2,5% no acumulado. No mix, as vendas no cativo foram de 2.741,7 GWh (-5,3%) e a TUSD associada ao ACL alcançou 1.111,2 GWh (+15,2%); em 10M25, cativo -3,5% e TUSD +14,1%. As perdas totais ficaram em 12,17% (12 meses), abaixo do limite regulatório de 12,56%.

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O quadro reforça uma mudança estrutural do mix: TUSD em alta de dois dígitos com a migração ao mercado livre, cativo pressionado pela expansão da geração distribuída e disciplina nas perdas mantendo o indicador dentro dos limites. Em outras palavras, outubro preserva a tendência descrita na normalização operacional do 3T25, com TUSD em alta e perdas em queda, quando a companhia já apontava volumes mais previsíveis após a base climática excepcional de 2024.

Além disso, a tração industrial de outubro dialoga com os setores que vinham puxando a carga no trimestre (óleo e gás, alimentos, minerais e fertilizantes), enquanto as divergências entre concessões refletem características locais de clima e calendário de leitura. Como o boletim é preliminar e não auditado, o detalhamento virá no release trimestral, mas a leitura até aqui é de continuidade na recomposição da previsibilidade na distribuição — apoiada por TUSD crescente, GD ganhando participação e perdas sob controle. Essa dinâmica já havia sido convertida em margens e geração de caixa no trimestre anterior, como mostrado no 3T25 robusto, com EBITDA ajustado recorrente de R$ 2,07 bilhões, margem de 23,9% e lucro de R$ 648 milhões.

Para o investidor, a combinação de volumes mais estáveis, perdas dentro do limite e crescimento do TUSD cria um pano de fundo favorável à disciplina de capital e à manutenção do retorno ao acionista, mesmo com volatilidade pontual de clima e calendário. Esse alinhamento ficou evidente na distribuição de R$ 320,5 milhões em dividendos, anunciada após o 3T25, sinalizando confiança na geração de caixa recorrente e na capacidade de sustentar o payout sem elevar a alavancagem. Ao mesmo tempo, a estratégia de aumentar a participação de receitas reguladas e menos voláteis funciona como amortecedor de ciclos de demanda: o avanço em transmissão ilustra esse hedge operacional e financeiro, como na expansão orgânica em Oriximiná, que adicionou RAP de R$ 7,7 milhões, reforçando previsibilidade de fluxo e a resiliência do portfólio frente a oscilações momentâneas do consumo.

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