No 3T25, a Energisa reportou consumo consolidado de 10.515,7 GWh (+2,0% a/a), com 31.699,1 GWh no acumulado de nove meses (+1,1%) já considerando a compensação de GD II/III. A base do 3T24 foi excepcional (+5,9%, a maior em 11 anos) e 2025 trouxe clima mais ameno (CDD -14,5%), de modo que, sem a energia compensada, o mercado teria recuado 1,4% no trimestre e 2,3% em 9M25. O mix confirma a migração ao ACL (TUSD +13,4%) e a pressão no cativo (-2,3%). Este resultado consolida a normalização operacional indicada no boletim de consumo de agosto, que já mostrava perdas em 12,07% e TUSD em alta de dois dígitos. Por classe, o residencial segue como vetor de sustentação (+4,2%), apoiado por expansão imobiliária e melhora de renda; a indústria avança de forma seletiva (+1,1%), com destaques em óleo e gás, alimentos, minerais e fertilizantes. As perdas em 12 meses recuam para 12,04% (vs. 12,83% no 3T24), sinalizando disciplina nas concessões.

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Do ponto de vista estratégico, volumes mais previsíveis e perdas sob limites regulatórios dão lastro ao caixa recorrente das distribuidoras, sustentando o ciclo de liability management. Esse pano de fundo conecta-se diretamente à 24ª emissão de debêntures de R$ 3,65 bilhões concluída em 16/09, que alongou a duration, centralizou liquidações e reduziu risco de rolagem, criando um trilho financeiro para acomodar capex de redes e reforços sem pressionar a alavancagem. Ao mesmo tempo, a migração ao mercado livre mantém o TUSD em trajetória positiva, amortecendo a queda do cativo e sustentando a visibilidade de recebíveis. A queda consistente das perdas — de 12,83% no 3T24 para 12,04% agora — tende a capturar eficiência tarifária e elevar a qualidade de serviço no ciclo regulatório.

Na agenda de crescimento com receitas reguladas, a companhia avança em transmissão, convertendo execução em RAP e confiabilidade do sistema. Esse movimento dá continuidade à etapa da expansão orgânica em transmissão energizada em Oriximiná, que adicionou RAP de R$ 7,7 milhões, ao mesmo tempo em que a distribuição mostra resiliência: 7 de 9 distribuidoras cresceram no trimestre, com EMT, EPB e ETO em destaque e suporte do residencial. O padrão que emerge é claro: normalização de demanda após base climática excepcional, TUSD robusto com a migração ao ACL, perdas cadentes e pipeline regulado em redes e transmissão — combinação que fortalece o perfil defensivo da Energisa e prepara o terreno para o release de resultados do trimestre. Como reforçado no boletim, os dados são preliminares e não auditados, com detalhamento adicional a ser apresentado no documento de resultados.

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