A Três Tentos encerrou o 3T25 com receita recorde de R$ 5,0 bilhões (+42,9% a/a), mas com margens comprimidas: EBITDA ajustado de R$ 166,3 milhões (-51,4%) e margem de 3,3%. O lucro bruto ajustado foi de R$ 677,4 milhões (+11,6%), enquanto o segmento Indústria sentiu a pressão da curva de farelo de soja em baixa frente à sustentação da soja. A combinação de derivativos elevou o EBITDA ajustado mais derivativos liquidados para R$ 368,9 milhões e o resultado financeiro foi positivo em R$ 249,2 milhões. O lucro líquido somou R$ 203,0 milhões (ajustado: R$ 276,6 milhões). A dívida líquida subiu para R$ 1,58 bilhão, puxada por capex na usina de etanol em Porto Alegre do Norte (MT) — R$ 1.197 milhões já desembolsados — com início previsto para o começo de 2026, além da modernização do processamento de soja. Este quadro traduz a execução do plano e a realocação de prioridades do Novo Ciclo 2024–2030, com realocação do CAPEX para acelerar etanol de milho e o core industrial.

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Do ponto de vista financeiro, a alavancagem de 1,45x (dívida líquida/EBITDA LTM, covenants off‑TentosCap) e o ganho no resultado financeiro indicam que a companhia vem combinando proteção de preço e alongamento de passivos para atravessar 2025, ano de pico de investimentos. Essa preparação foi reforçada em outubro com captação securitizada que casa prazos de 5 a 7 anos com o ramp-up industrial e reduz dependência de fontes específicas. A formalização do encerramento da oferta de CRA de R$ 500 milhões em três séries, com vencimentos longos e indexadores diversificados dá previsibilidade ao caixa e sustenta o cronograma da usina no MT e do pipeline logístico, preservando capital de giro em um trimestre de forte expansão em Insumos e Grãos. Em paralelo, a TentosCap ampliou a carteira de crédito para R$ 333,2 milhões (+97,4%), reforçando a esteira de originação via CPR‑F.

Para mitigar a volatilidade de basis e capturar margens ao longo da cadeia, a empresa avança na verticalização logística e comercial no Centro‑Oeste, que já representa metade do faturamento. Esse movimento cria o canal de escoamento para a produção adicional de biodiesel e coprodutos, ao mesmo tempo em que reduz custo de frete e melhora a previsibilidade de demanda durante a rampa de 2026–2027. Nesse sentido, a parceria com a Ipiranga para implantar uma base de distribuição integrada à usina de biodiesel em Vera (MT) funciona como elo entre a capacidade industrial crescente e o mercado regional, contribuindo para amortecer ciclos de preço como os observados no 3T25 no segmento Indústria e fortalecendo a monetização das expansões previstas no plano.

Em síntese, o 3T25 é um capítulo de transição: receita robusta em todas as frentes, margens pressionadas na Indústria por dinâmica de preços e um colchão de proteção via derivativos e passivos alongados. A continuidade do capex concentrado em 2025 e o cronograma da planta do MT para início de 2026 sustentam a tese de recuperação gradual de margens conforme a verticalização industrial e logística entre em operação, ancorando a trajetória até 2030.

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