O Grupo Toky (TOKY3) aprovou aumento de capital de R$ 25,4 milhões por capitalização de créditos da Domus Aurea, com emissão de 25.369.364 ações ordinárias a R$ 1,00 por papel e igual número de bônus de subscrição, assegurando direito de preferência aos atuais acionistas. O preço corresponde a 100,6% do VWAP dos 60 pregões anteriores à aquisição, pela companhia, das debêntures da Tok&Stok então detidas pela Domus, compradas com “significativo desconto” de 34,129% do valor nominal. O movimento dá continuidade e materialidade ao pacote de liability management que combina compra de debêntures da Tok&Stok, aumento de capital e conversão de debêntures. Ao assegurar o direito de preferência, a operação reforça o reequilíbrio da estrutura de capital e sinaliza confiança dos credores na tese de recuperação. Além de reduzir passivos com parte relacionada, a capitalização via créditos minimiza desembolso de caixa e cria ponte para a conversão das debêntures remanescentes, etapa essencial para reequilibrar a alavancagem consolidada e simplificar a estrutura societária.

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Do ponto de vista da base acionária, a oferta com direitos ocorre após meses de rearranjos que ampliaram a dispersão e tendem a influenciar quem acompanhará a rodada. Esse pano de fundo ganhou relevo com a redistribuição de ações decorrente da liquidação do FIP DSK CAPITAL TOK, que diluiu a concentração sem representar venda em mercado. Em cenários assim, o sucesso de captações com direitos depende do apetite de novos âncoras e da coordenação entre minoritários, além da visibilidade de preço dada pela transação com a Domus e pela estrutura de bônus de subscrição. Poucos dias depois, a base passou a contar com um investidor setorial atuante, com a entrada da Buriti Investimentos com 5,74% do capital, sinal que tende a dar profundidade de book e elevar a probabilidade de exercício dos direitos nesta etapa de equitização.

Estratégia e governança caminham juntas nessa fase. A compra das debêntures com desconto relevante e sua posterior equitização desenham um roadmap de desalavancagem que pode reduzir materialmente a dívida bruta consolidada, enquanto o aumento de capital preserva a participação dos atuais acionistas por meio do direito de preferência e adiciona a opcionalidade dos bônus. A virada de debates para execução está ancorada na reorganização de governança com a posse de conselheiros independentes em outubro, que elevou o escrutínio sobre alocação de capital e negociações com credores. As próximas etapas incluem assembleia de debenturistas para viabilizar a conversão de até 99% do saldo a R$ 9,00 por ação e ajustes de capital autorizado — marcos já delineados que, combinados ao aumento aprovado, consolidam a estratégia de simplificação societária e redução de alavancagem.

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