A Oncoclínicas reportou no 3T25 prejuízo ajustado ex-hospitais de R$ 39,7 milhões, EBITDA ajustado de R$ 241,4 milhões e margem de 17,1% — alta de 450 bps frente ao 2T25 — além de fluxo de caixa operacional de R$ 246,4 milhões, revertendo a saída do trimestre anterior. A receita líquida foi de R$ 1,413 bilhão (-3,5% t/t), com melhora relevante na PCLD (4,4% da receita bruta vs. 6,1% no 2T25). Procedimentos recuaram para 151,6 mil em função de postura comercial mais seletiva e do término do contrato com a Unimed FERJ, enquanto o ticket médio avançou 5,7% t/t para R$ 10.076. O Opex sinalizou normalização após o plano de turnaround e o capex somou R$ 53 milhões. Este desempenho operacional se encaixa na fase financeira delineada com a aprovação do aumento de capital a R$ 3,00 com bônus 1:1 e possibilidade de equitização, cujo objetivo central é acelerar a desalavancagem e estabilizar o caixa.

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No eixo estratégico, o trimestre foi marcado pela agenda back to core e pela guinada asset-light: venda do Hospital Marcos Morais e do Uberlândia Medical Center (pendentes de fechamento), distratos de BTS em Belo Horizonte, renegociação em Goiânia e, como evento subsequente, distrato do BTS do cancer center em São Paulo. As operações hospitalares ainda somaram EBITDA negativo de R$ 25,6 milhões no 3T25, reforçando a lógica de desinvestir ativos ex-core e preservar o funil oncológico via contratos de longo prazo. Esse fio condutor já havia sido explicitado na venda de ativo materno-infantil com contrato oncológico e distrato de BTS anunciados em 14/11, que reduz compromissos futuros de capex e passivos locatícios, mantendo a vocação de oncologia com menor imobilização de capital.

Como subsequente, a companhia concluiu em 14/11 a captação de cerca de R$ 1,4 bilhão, levando a alavancagem pro forma para aproximadamente 3,0x com base no EBITDA anualizado. Esse passo fecha o ciclo iniciado na AGE e remove incertezas de execução, ao mesmo tempo em que antecipa benefícios sobre o custo financeiro e o balanço ao longo de 2026–2027. O desfecho operacional e societário conversa diretamente com o encerramento da subscrição de sobras com superação da Subscrição Mínima, que ancorou a homologação parcial, viabilizou a listagem dos bônus e consolidou a narrativa de reequilíbrio.

Importante destacar o reconhecimento de R$ 1,798 bilhão em efeitos não caixa e não recorrentes no 3T25, incluindo baixas de ativos hospitalares e de contratos BTS, além de provisões ligadas à confissão de dívida com a Unimed FERJ e aos CDBs do Banco Master. Em termos de trajetória, essa contabilização reforça prudência e fecha o gap entre balanço e riscos mapeados previamente, em linha com a repactuação dos CDBs do Banco Master, com cronograma de resgates até 2027 e gatilhos de vencimento antecipado. Com o capital novo, a rotação de ativos ex-core e a normalização do Opex, o ciclo de capital de giro caiu para 25 dias (18 dias ex-hospitais) e a tese se mantém: fortalecer margens e caixa no core oncológico, com menor volatilidade operacional e financeira.

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