Em 14 de novembro de 2025, a Oncoclínicas (ONCO3) informou, em resposta ao Ofício nº 231/2025/CVM/SEP/GEA-2, que, ao tomar conhecimento às 13h18 de reportagem do Valor Econômico sobre a venda do Hospital Vila da Serra (Belo Horizonte) por R$ 130 milhões, finalizou e divulgou ainda durante o pregão dois Fatos Relevantes: (i) a celebração de Proposta Vinculante para ampliar parceria e vender 100% do Instituto Materno Infantil de Minas Gerais S.A. à Fundação Felice Rosso, prevendo contrato de prestação de serviços oncológicos de longo prazo; e (ii) a assinatura do distrato de contrato de locação atípica (BTS) com a Castelo Byblos. Simultaneamente, solicitou à B3 a suspensão das negociações com base no art. 5º, § 2º, da Resolução CVM nº 44. A companhia recordou que, em 1º/10, já havia sinalizado iniciativas para descontinuar operações non core e renegociar/rescindir projetos BTS, e destacou que os anúncios ocorreram na véspera do fim do Período de Sobras do aumento de capital e da divulgação do 3T25.
Este capítulo dá continuidade a uma estratégia que combina rotação de portfólio e guinada asset-light: a alienação integral de um ativo hospitalar materno-infantil (fora do core) preserva a vocação oncológica por meio de um acordo de serviços de longo prazo, enquanto o distrato BTS reduz compromissos futuros de capex e passivos locatícios. Em conjunto, os movimentos reforçam a preservação do funil oncológico com menor imobilização de capital e mais previsibilidade contratual. Essa linha foi explicitada quando o Conselho rejeitou uma proposta alternativa e optou por execução própria, priorizando renegociação/cessação de contratos e desinvestimentos non core, na rejeição à proposta da Starboard e encaminhamento do aumento de capital à AGE, com ênfase em renegociação/cessação de contratos e desinvestimentos non core.
Do ponto de vista de governança informacional, a decisão de pedir suspensão e divulgar ainda no pregão mitiga assimetria às vésperas de marcos societários sensíveis, como o encerramento do Período de Sobras e a divulgação de resultados. A sequência também ajuda a evitar ruído de execução em um momento de captação, ao alinhar comunicação formal e cronograma de eventos, reduzindo risco de percepção de seletividade de informação. Esse cuidado se conecta diretamente ao desfecho anunciado no mesmo dia, com o encerramento da subscrição de sobras com superação da Subscrição Mínima e preparação dos bônus, que ancorou a fase seguinte de homologação e reforçou a narrativa de reequilíbrio financeiro sob parâmetros já comunicados.
No plano estrutural, a venda do ativo ex-core acoplada a um contrato de prestação de serviços e o distrato BTS conversam com a “fase financeira” aprovada em 8/10, que combina capital novo, possibilidade de equitização de créditos e distribuição de bônus para alongar opcionalidade. Essa arquitetura busca acelerar a desalavancagem e recompor caixa enquanto a operação consolida um modelo menos intensivo em ativos hospitalares fora da oncologia, aumentando a resiliência do balanço e a previsibilidade de margens. O movimento dá continuidade à aprovação do aumento de capital a R$ 3,00 com bônus 1:1 e homologação parcial, criando um encadeamento lógico entre desalavancagem, rotação de ativos e foco no core oncológico.
Em paralelo, a empresa vinha montando uma ponte de liquidez para atravessar a capitalização sem rupturas operacionais, reduzindo a necessidade de linhas caras e estabilizando o capital de giro. Esse pilar tático reforça o contexto em que a alienação de ativos non core e a revisão de contratos BTS são executadas: um balanço em recomposição, com calendário claro de entradas e redução de pressões de curto prazo. Entre os pontos notáveis, destaca-se a alienação das debêntures em tesouraria que adicionou R$ 111,2 milhões de liquidez, sinalizando gestão ativa de passivos e coerência com a trajetória de desalavancagem e fortalecimento de caixa enquanto a agenda societária avança.







