Em 14 de novembro de 2025, a CEMIG comunicou a conclusão do bookbuilding da 14ª emissão de debêntures simples da Cemig Distribuição, total de R$ 2,5 bilhões em duas séries (2,0 bi na 1ª e 0,5 bi na 2ª), com juros de 6,7878% a.a. e 6,6504% a.a., respectivamente. São debêntures simples, quirografárias, com garantia fidejussória adicional, sob a Lei 12.431, o Decreto 11.964 e a Resolução CMN 5.034, com rating AAA.br da Moody’s Local. Os recursos serão destinados exclusivamente ao reembolso de gastos já realizados no Projeto de expansão, renovação e melhoria da distribuição — PDD de referência 2024 — executado entre jan-set/2024, enquadrado como prioritário pelo MME. A emissão foi qualificada como “Debêntures Sustentáveis”, alinhada aos ODS 7 e 9, seguiu o rito de registro automático da CVM 160 (sem prospecto/lâmina) e traz restrições de revenda por tipo de investidor. XP é o coordenador líder, com ABC Brasil DTVM e Itaú BBA; a CEMIG é fiadora.
Este movimento consolida a estratégia de funding incentivado e de alongamento de passivos aderentes a ativos regulados do grupo, repetindo a fórmula de captação eficiente sob Lei 12.431 que a companhia já vinha executando em geração e transmissão. A continuidade fica clara quando comparada à 11ª emissão de debêntures da Cemig GT sob a Lei 12.431, também com rating AAA.br e enquadramento prioritário no MME, que ancorou investimentos em transmissão e fontes renováveis. A recorrência de emissões bem-sucedidas, com custos competitivos, reforça a leitura de que o selo de qualidade de crédito vem sendo monetizado para reduzir custo de capital, padronizar estruturas e acelerar o ciclo de investimentos com previsibilidade.
No plano operacional, direcionar os recursos para reembolsar capex do PDD 2024 preserva caixa e dá cadência à execução regulatória da distribuição, onde a CEMIG vinha superando metas de eficiência e qualidade. Esse alinhamento entre funding e entrega operacional dialoga com os resultados do 3T25, com capex robusto em distribuição e rating AAA, quando a empresa reportou perdas e indicadores de qualidade (DEC) melhores que o regulatório e destacou a disciplina de custos na Cemig D. Ao transformar investimentos já realizados em dívida incentivada de menor custo, a companhia suaviza a pressão sobre o fluxo de caixa, sustenta a agenda de redução de perdas e confiabilidade da rede, e mitiga a volatilidade de outras linhas do grupo.
Para o acionista, captar para reembolsar capex passado — em vez de pressionar o caixa corrente — ajuda a compatibilizar o ciclo de investimentos com a manutenção de uma remuneração previsível. Esse desenho conecta-se diretamente a o JCP de R$ 604,7 milhões com pagamentos programados para 2026, evidenciando a disciplina de passivos e a gestão de liquidez que permitem sustentar payout enquanto a companhia executa um plano industrial intensivo em capital. Em síntese, a emissão atual não é um evento isolado: ela costura a coerência entre crédito forte, funding incentivado e entrega operacional na distribuição, reforçando a narrativa de execução consistente e financeiramente prudente.







