A Cemig GT concluiu o bookbuilding da 11ª emissão de debêntures no montante de R$ 1,5 bilhão, em duas séries, com juros de 6,7878% a.a. (1ª) e 6,6504% a.a. (2ª), sob a Lei 12.431 e enquadramento prioritário no MME. Os recursos — que reembolsam gastos do Projeto entre dez/22 e set/25 — financiarão reforços e modernizações em transmissão, ampliação e modernização de PCHs e a implantação de usinas fotovoltaicas. A oferta (registro automático, sem prospecto) recebeu rating “AAA.br” da Moody’s Local e capta 88,29% do total estimado (R$ 1,699 bi), sinalizando demanda qualificada e custo competitivo de capital para infraestrutura.

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Estratégicamente, a operação consolida a execução do ciclo de investimentos com funding aderente ao perfil de ativos regulados e renováveis. Ela se apoia na robustez recente do crédito e na disciplina de passivos, que amortecem a volatilidade operacional e favorecem emissões incentivadas. Esse pano de fundo já havia ficado evidente no resultado do 3T25 e a elevação do rating para AAA, com capex robusto e alavancagem contida, quando a companhia reforçou que a qualidade de crédito sustentaria o avanço do plano industrial mesmo em um trimestre pressionado pelo GSF e por maiores despesas financeiras.

Ao direcionar recursos para transmissão e renováveis, a companhia mantém coerência com a estratégia de curadoria de portfólio: reduzir complexidade, concentrar capital em escala e modernizar o que permanece estratégico. Esse fio condutor conecta o novo funding ao desinvestimento de usinas de pequeno porte concluído em outubro, que liberou capacidades operacionais e financeiras para projetos com melhor relação risco-retorno. Longe de ser contraditório, investir na modernização de PCHs remanescentes ao mesmo tempo em que se vende ativos subescala revela um movimento de poda seletiva: sai o que não escala, fica o que pode ser otimizado e integrado a um parque mais eficiente, com reforços de rede e adição solar.

Do ponto de vista de alocação de caixa, captar via debêntures incentivadas para reembolsar capex passado preserva liquidez operacional e dá previsibilidade ao cronograma de investimentos, sem sacrificar a remuneração do acionista. Isso dialoga com a manutenção de uma política de payout fiscalmente eficiente e programada, como no JCP de R$ 604,7 milhões, com pagamentos em 2026. Em conjunto, a combinação de crédito forte, funding alongado e disciplina de portfólio sustenta o ciclo de crescimento com estabilidade, suavizando efeitos de sazonalidade hidrológica e reforçando a narrativa de execução consistente desde 2019.

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