No 3T25, a CEMIG reportou receita líquida de R$ 10,6 bi (+4,6% a/a), EBITDA IFRS de R$ 1,50 bi (-69,7% a/a) e EBITDA ajustado de R$ 1,47 bi (-16,3% a/a). O lucro líquido IFRS foi de R$ 797 mi (-75,7% a/a) e o ajustado de R$ 780 mi (-30,2%). Por segmento (EBITDA IFRS): Cemig D R$ 758 mi (-1,9%), Cemig GT R$ 530 mi (-86,0%), Gasmig R$ 209 mi (-7,9%). As pressões vieram do GSF menor (0,65 vs. 0,79 no 3T24), do recuo de 4,4% no volume distribuído (ex-GD) e de maior despesa financeira; em contrapartida, a distribuição superou o regulatório em Opex e EBITDA nos 9M25, com perdas de 11,42% (abaixo da meta de 11,47%) e DEC em 9,34 horas. Esse quadro reforça a estratégia de eficiência e simplificação do portfólio para atravessar ciclos hidrológicos adversos, em linha com o desinvestimento de usinas de pequeno porte concluído em outubro.

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Do lado financeiro, a companhia investiu R$ 4,7 bi nos 9M25 (capex de R$ 3,6 bi em distribuição e R$ 297 mi em transmissão), incluindo R$ 199 mi relativos ao leilão do GSF; a alavancagem encerrou em 1,76x (DL/EBITDA ajustado). A elevação do rating para AAA pela Moody’s em setembro sustenta custo de capital, dá fôlego para o ciclo de investimentos e mitiga a volatilidade de geração e comercialização que marcou o trimestre. A coerência entre crédito, governança e previsibilidade também apareceu na comunicação do controlador sobre possível adesão ao PROPAG e discussão do “modelo de corporação” em novembro de 2025, sinalizando que eventuais movimentos societários vêm sendo tratados com disclosure faseado, sem desviar a execução operacional.

Para o acionista, a manutenção do retorno em um trimestre pressionado decorre de disciplina de caixa: a companhia reiterou a estratégia de remuneração com eficiência fiscal via JCP, preservando liquidez de curto prazo enquanto compatibiliza payout com o ciclo de investimentos e obrigações como o desembolso do GSF. Nesse contexto, destaca-se o JCP de R$ 604,7 milhões anunciado em setembro de 2025, com pagamento em 2026 em duas parcelas, citado no release. Essa cadência, somada aos ganhos operacionais na distribuição e ao fortalecimento do crédito, ajuda a amortecer a piora pontual do GSF e a queda de volumes. A teleconferência de 14/11, às 14h, tende a detalhar recomposição de margens na comercialização, metas de perdas, capex de D/GT e impactos do GSF nas projeções.

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