Azevedo & Travassos reportou prejuízo líquido consolidado de R$ 620,4 milhões no 3T25, distorcido por perdas de R$ 633 milhões ligadas à investida MKS após a alienação em 23/09/2025; excluído esse efeito não caixa e não recorrente, o trimestre teria encerrado com lucro de R$ 12,6 milhões. O reconhecimento acelera a limpeza do perímetro e a simplificação societária, retirando volatilidade do consolidado e liberando foco para os contratos core — exatamente a agenda operacionalizada no direito de preferência para alienação da MKS e avanço da simplificação societária.

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Do lado operacional, houve inflexão de escala: o pipeline alcançou R$ 50,5 bilhões (+56,9% t/t; +78,2% a/a) e o backlog consolidado de Heftos e Azevedo & Travassos Infraestrutura somou R$ 3,5 bilhões (+28,4% t/t; +413,2% a/a). A receita líquida foi a R$ 116,1 milhões (+47,1% t/t; +207,5% a/a), com margem bruta de 20,4%, sustentada sobretudo pelo cluster de óleo e gás em Itaboraí. Nessa frente, a sobreposição de pacotes com a Petrobras aumenta sinergias de engenharia, dilui riscos de interface e favorece a captura de margens ao longo de contratos multi-ano, como o EPC 12 de R$ 1,3 bi em utilidades em Itaboraí, que reforçou a estratégia de cluster.

Em paralelo, a diversificação para rodovias amplia previsibilidade e reduz concentração setorial. O backlog rodoviário começa a ganhar massa crítica ao lado do predominante O&G (91%), ajudando a compor uma carteira mais equilibrada e a suportar ramp-up de produtividade em suprimentos, mobilização e garantias. Esse eixo rodoviário ganhou tração com um EPC de grande porte no Nordeste, que adiciona receitas plurianuais e fortalece a presença da ATI no segmento, caso da assinatura do Arco Viário Metropolitano de Pernambuco – Lote 2 (R$ 631,9 mi). Na vertical de Investimentos, o projeto Rota Verde concluiu a estrutura de serviços (nove SAUs, ambulâncias, SOS mecânico, guinchos e veículos de inspeção), mantendo o cronograma e preparando a etapa operacional, reforçando a tese de receitas tarifárias e o reequilíbrio de portfólio.

No financeiro, a regularização tributária da Heftos melhora a equação de caixa e a percepção de risco: a transação individual com a PGFN reduz em cerca de R$ 44 milhões o passivo inscrito, alonga o perfil de pagamentos com parcelas iniciais mais leves, permite utilizar ~R$ 20 milhões de ativo fiscal diferido e gera cerca de R$ 24 milhões de resultado financeiro pela queda nos acréscimos legais. Essa engenharia suaviza o capital de giro no ramp-up e sustenta garantias, em linha com a transação da Heftos com a PGFN, que reduziu débitos e suavizou desembolsos. Com o avanço de backlog e pipeline, a administração projeta expansão de margens por alavancagem operacional e diluição de SG&A, e agendou a teleconferência de resultados para 17/11 às 11h.

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