Em 06/11/2025, a Azevedo & Travassos (AZEV3, AZEV4) abriu prazo de 30 dias para que seus acionistas exerçam o direito de preferência na compra de ações da MKS Soluções Integradas S.A., à razão de 0,25173950 por ação da Companhia, pelo preço de R$ 0,00000000067 por ação (com valor mínimo operacional de R$ 0,01). As ações passam a ser negociadas ex-direito a partir de 07/11/2025. O exercício vai de 07/11 a 08/12/2025, mediante envio de e-mail ao RI com documentação, assinatura digital do termo e pagamento à vista via depósito. A administração não recomenda o exercício, citando deterioração financeira e comercial entre dez/23 e jun/25, patrimônio líquido negativo desde 31/12/2024, queda de receita e risco relacionado ao Banco Master (em liquidação). A MKS é companhia fechada e seguirá com baixa liquidez. A Nemesis informou que não exercerá.
Mais que um rito formal, o aviso operacionaliza a saída da MKS do perímetro consolidado e aprofunda a estratégia de simplificação societária e de gestão de risco. Ao oferecer o direito de preferência e tornar os papéis ex-direito, a administração pavimenta o fechamento da transação com o Camaçari FIP, mantendo transparência sobre prazos, pagamentos e arredondamentos. O racional econômico — preço simbólico e recomendação de não exercer — espelha o diagnóstico de destruição de valor e riscos contingentes do ativo, preservando caixa e foco do grupo nas verticais core. Trata-se, portanto, da execução prática do redesenho acionário de setembro, quando foi anunciada a venda da subsidiária sob deliberação de AGE: alienação da MKS e mudança de controle divulgadas em 23/09/2025.
Em termos financeiros, a alienação também se conecta às condições precedentes do pacote de funding estruturado para o ciclo de concessões e EPCs. Ao concluir a saída da MKS, a companhia reduz incertezas e avança no check-list que amarra ponte de capital de giro e linha de longo prazo às aprovações societárias, diligências e marcos contratuais. Esse encadeamento é crítico para sincronizar mobilização, suprimentos e garantias num período de ramp-up, evitando dispersão de liquidez em ativos não estratégicos e favorecendo a execução de contratos multianuais. Na prática, a limpeza do perímetro societário é um passo esperado para converter memorandos em contratos definitivos e reduzir o custo de capital, como detalhado no MoU de financiamento com a Jive (ponte de R$ 50 mi e linha de até R$ 414 mi).
No vetor de governança, a postura da administração — não recomendar o exercício, reforçar riscos da MKS e manter processo sob crivo assemblear — é consistente com a narrativa de blindagem reputacional e redução de ruídos regulatórios observada desde setembro. O fato de a Nemesis comunicar que não exercerá o direito reforça alinhamento entre controlador e minoritários na priorização do core e na preservação de caixa para projetos estruturantes. Esse mesmo argumento — isolar a Companhia de potenciais riscos reputacionais e financeiros ligados ao antigo acionista — já havia sido levado à CVM no contexto da discussão sobre OPA, oferecendo mais previsibilidade ao rito societário: manifestação da Nemesis na CVM sobre a OPA e a tese de isolamento de riscos.







