A Azevedo & Travassos informou que a controlada Heftos Óleo e Gás teve deferida pela PGFN a transação individual que reduz os débitos inscritos em Dívida Ativa de R$ 121,97 milhões para R$ 77,62 milhões, com descontos de até 18,66% aplicados sobre acréscimos legais (multa, juros e encargos), vedada a redução do principal. O acordo permite usar PF/BCN para amortizar até 15% do saldo previdenciário e 30% dos demais débitos. O pagamento será em 30 parcelas (previdenciária) e 60 parcelas (demais), com menor concentração nas 12 primeiras. Haverá migração de um parcelamento simplificado (R$ 19,42 milhões) para a PGFN com redução estimada de 35%. Entre os efeitos, a companhia projeta queda do passivo tributário em cerca de R$ 44 milhões, melhora de caixa imediata, uso de aproximadamente R$ 20 milhões de ativo fiscal diferido e reconhecimento de cerca de R$ 24 milhões de resultado financeiro pela redução dos acréscimos legais.

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Na prática, a regularização fiscal funciona como peça da reestruturação financeira da Heftos, aliviando desembolsos no curto prazo e dando previsibilidade para a execução do backlog crítico. Este movimento consolida a capacidade de mobilização em Itaboraí e reduz riscos de interface e de compliance em grandes contratos com a Petrobras, ao mesmo tempo em que sustenta competitividade em novas concorrências. Essa frente conversa diretamente com a expansão do backlog e a estratégia de cluster no complexo industrial, inaugurada pela assinatura do EPC 12 de R$ 1,3 bilhão em utilidades e a estratégia de cluster em Itaboraí, liderados pela Heftos. A regularidade fiscal também tende a facilitar a obtenção de garantias, mitigar travas contratuais e sustentar um ramp-up mais ordenado de suprimentos e frentes de obra.

Além disso, ao alongar pagamentos e permitir a compensação com PF/BCN, a Heftos libera caixa para mobilização e reduz o custo financeiro futuro. Para credores e contratantes, a queda dos encargos e o reconhecimento do resultado financeiro melhoram métricas de alavancagem e cobertura, reduzindo a percepção de risco do balanço operativo. Nesse contexto, ganha tração a engenharia de capital pensada para sustentar EPCs e concessões, como o MoU de financiamento com a Jive (ponte de R$ 50 milhões e linha de até R$ 414 milhões condicionadas a marcos contratuais e societários), que conecta os desembolsos ao avanço de marcos operacionais. Ao combinar um perfil de parcelas fiscais mais leves no início com contratos de longo ciclo, a companhia suaviza o pico de capital de giro e preserva liquidez para mobilização, emissão de garantias e compras de itens críticos. O uso de PF/BCN ainda reduz a pressão sobre caixa corrente, reforçando a disciplina financeira no momento de ramp-up.

Do ponto de vista de mercado e governança, a redução do passivo tributário e a melhora imediata do fluxo de caixa se somam às alavancas estruturais que a administração vem acionando para transformar fundamentos em valor. A previsibilidade maior de caixa e a menor despesa financeira dialogam com a prorrogação da B3 até 30/04/2026, orientada à simplificação societária, reforço de caixa e execução de contratos, que ofereceu um corredor de tempo para que esses vetores apareçam em preço e liquidez. Em conjunto, normalização fiscal na Heftos, backlog crescente em Itaboraí e arquitetura de funding formam uma narrativa coesa de continuidade: menos fricção financeira, mais foco em entrega e melhores condições para competir por novos contratos sob uma base de capital mais previsível.

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