A Orizon (ORVR3) reportou no 3T25 lucro líquido de R$ 27,3 mi, receita de R$ 281,1 mi (+12,8% a/a) e EBITDA de R$ 130,8 mi (‑1,2% a/a; +4,0% t/t). O lucro foi pressionado por efeito não recorrente de R$ 14,5 mi decorrente do pré-pagamento de debêntures; ajustado, chegaria a R$ 41,9 mi (+56,5% t/t; +1,5% a/a). O resultado financeiro líquido foi negativo em R$ 53,8 mi, e a alavancagem encerrou em 2,20x Dívida Líquida/EBITDA LTM. Em paralelo, a companhia aprovou a 6ª emissão de debêntures (R$ 400 mi; CDI+1,45% a.a.) e destinou recursos ao resgate antecipado da 4ª emissão (CDI+3,80% a.a.), movimento já materializado na conclusão da 6ª emissão de debêntures e pré‑pagamento da 4ª emissão, que explica o efeito não recorrente e reforça a disciplina de capital em meio ao ciclo de investimentos. A troca de CDI+3,80% por CDI+1,45% tende a reduzir a despesa financeira a partir do 4T25, mesmo com o pico de capex (R$ 142,7 mi no trimestre), e mantém a alavancagem sob controle. O avanço sequencial de 4% do EBITDA, aliado ao crescimento de receita de 12,8%, indica resiliência do core de Destinação Final e ganho de preço por tonelada.

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Operacionalmente, Destinação Final faturou R$ 214,3 mi (+2,3% a/a; +6,2% t/t), com gate fee médio de R$ 84,53/t (+9,4% a/a) e volumes +3%. Transição Energética acelerou para R$ 45,1 mi (+151,3% a/a), impulsionada pelo biometano, enquanto Economia Circular somou R$ 21,7 mi (preço médio dos reciclados de R$ 1.492,20/t; +6,9% a/a). A ANP autorizou o início do fornecimento de biometano no Ecoparque Jaboatão (60 mil m³/dia na largada, com expectativa de ~110 mil m³/dia no 1S26), e a WtE de Barueri segue em obras. Esses vetores dão visibilidade a margens estruturais mais altas e uma trajetória de desalavancagem coerente com a projeção da S&P de margens acima de 50% até 2027, sustentadas por biometano e pela URE de Barueri. A venda de R$ 14 mi em créditos de carbono no trimestre reforça um fluxo recorrente complementar, que suaviza a volatilidade dos recicláveis e melhora a previsibilidade de caixa durante o ramp‑up. Somado ao aumento do gate fee, o mix ajuda a sustentar margens mesmo com base comparável elevada de 3T24 e consolida a virada sequencial observada desde o 2T25.

Nos eventos subsequentes, a companhia concluiu a aquisição do Ecoparque Oeste Paulista (Regente Feijó) por valor de firma de R$ 40 mi (com earn‑out), ativo de ~10 mil t/mês e EBITDA anual entre R$ 7,5 mi e R$ 8,5 mi, com vocação para biometano. A conclusão materializa a aquisição contratada da G4 em 1º de outubro, que amplia o hub no interior paulista e fortalece a estratégia de Ecoparques com valorização energética. Ao integrar volumes adicionais, a Orizon amplia escala para capturar contratos regionais, diluir custos logísticos e acelerar a Transição Energética — agenda que a administração pretende intensificar no 4T25 com o ramp‑up de Jaboatão e o avanço da WtE de Barueri, além da avaliação de novas oportunidades de M&A.

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