Os números do 9M25 mostram perda contábil de R$ 227 milhões, influenciada pela baixa de R$ 4,8 bilhões do ativo diferido de IR e por uma base de 9M24 afetada por eventos do PRJ. Apesar disso, a trajetória operacional aponta recuperação: receita líquida +1,4% a/a, EBITDA ajustado ex-IFRS 16 de R$ 240 milhões (R$ 25 milhões no 9M24), SSS +10,1%, GMV físico +2,9% e SG&A -10,5% a/a (28,3% da receita). No 3T25, destacou-se o lucro de R$ 367 milhões, com efeitos de créditos tributários e renegociações. Esse movimento consolida o foco em execução operacional, governança e previsibilidade que a companhia vem reforçando desde a desistência na arbitragem CAM 268/24 e a eleição de Fernando Soares como CEO, marcos de normalização de governança e foco na execução.

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Estratégia e portfólio caminham na mesma direção: lojas foram calibradas (112 encerramentos no ano, -6,4% de área), reforçando a busca por rentabilidade no varejo físico e um digital mais seletivo. No eixo de desinvestimentos previstos no PRJ, a UPI Ame permanece disponível para venda, o market sounding da HNT foi retomado em agosto e a Uni.Co teve proposta vinculante aceita em setembro — etapa de simplificação e monetização que reduz dispersão de capital e favorece a geração de caixa. Esse vetor já havia sido detalhado na alienação da UPI Uni.Co, etapa da monetização de ativos não core prevista no PRJ, que organiza o portfólio ao redor de iniciativas com melhor retorno ajustado ao risco e contribui para a diluição de SG&A e a padronização operacional.

No braço financeiro/digital, a redução do perímetro regulatório avança e reforça a tese de foco: o Banco Central aprovou o cancelamento da autorização da AME Digital como instituição de pagamento, passo que tende a reduzir custos de compliance, simplificar processos e minimizar ruído regulatório. Em paralelo, a empresa encerrou o 9M25 com dívida bruta de R$ 1,9 bilhão (debêntures), caixa líquido negativo de R$ 596 milhões e cerca de R$ 463 milhões em passivos remanescentes do PRJ, exigindo disciplina de capital. Em síntese, os resultados de 2025 mostram continuidade: execução no core, simplificação do ecossistema, governança fortalecida e monetização de ativos não essenciais — uma trajetória coerente com a virada operacional buscada no pós-RJ.

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