O Banco do Brasil (BBAS3) reportou lucro líquido ajustado de R$ 3,8 bilhões no 3T25, estável em relação ao 2T25, com ROE trimestral de 8,4%. No acumulado de 9M25, o lucro ajustado somou R$ 14,9 bilhões (ROE de 11,2%). Em base histórica, o 3T24 foi atípico, com R$ 9,5 bilhões. A margem financeira bruta atingiu R$ 26,365 bilhões no 3T25 (+1,9% a/a; +5,1% t/t) e totalizou R$ 75,327 bilhões no 9M25 (-2,4% a/a). O banco destacou a migração de TVMs privados da Tesouraria para Receitas de Crédito (~R$ 12,9 bilhões no 9M25); sem esse efeito, o resultado de Tesouraria seria R$ 38,5 bilhões e as Receitas de Crédito R$ 121,6 bilhões. As receitas de serviços foram de R$ 8,9 bilhões no tri (R$ 26,0 bilhões no 9M25, -1,2%), as despesas administrativas somaram R$ 9,8 bilhões (R$ 29,0 bilhões no 9M25, +5,4%) e o índice de eficiência ficou em 27,6%.
Na carteira expandida, o saldo alcançou R$ 1.278,6 bilhões em set/25 (+7,5% a/a; -1,2% t/t). PF somou R$ 350,5 bilhões (+7,9% a/a; +2,3% t/t) com NPL +90d de 6,01% — pressionado por produtores rurais; sem esse grupo, seria 5,33%. PJ totalizou R$ 453,0 bilhões (+10,4% a/a; -3,2% t/t), NPL de 4,06%. Agro ficou em R$ 398,8 bilhões (+3,2% a/a; -1,5% t/t), NPL de 5,34%, com 928 clientes em RJ e R$ 6,6 bilhões de saldo em recuperação. O custo do crédito avançou 66,4% no 9M25. Este retrato consolida a narrativa do “ano de ajuste” detalhada no encontro anual com investidores em Nova York (24/09), que explicitou seletividade no crédito, normalização da NII e metas recalibradas. Em linha com esse fio condutor, o trimestre combina moderação do crescimento em atacado, reprecificação de risco na PF (com efeito agro), cobertura robusta e maior disciplina de despesas, ainda que com alívio mais visível na margem bruta do que nas perdas esperadas.
A leitura também dialoga com as expectativas ancoradas no calendário do 3T25 e início do quiet period (28/10–12/11), que orientou a interpretação do trimestre sob normalização de margem, custo de crédito pressionado e seletividade. À luz desse enquadramento, a estabilidade do lucro t/t, a queda da NII no acumulado do ano, a dinâmica de inadimplência e o foco em eficiência compõem um cenário de reancoragem de rentabilidade frente aos patamares de 2024/2023 (ROE acima de 21%). O guidance para 2025 — com itens “mantido” e “revisado” — reforça essa transição: preservar capital e cobertura, ajustar o mix de crédito, aprofundar eficiência e calibrar originação por retorno ajustado ao risco, enquanto o agro segue como vetor de atenção na PF e no financiamento setorial.
No atacado, a previsibilidade de pipeline e a qualidade de carteira são peças-chave para sustentar a NII e mitigar o custo do crédito. O banco vem privilegiando relações de longo prazo, originação aderente ao apetite vigente e soluções de mercado que otimizaram funding e capital, evitando volatilidade desnecessária na execução. Esse desenho ganha coerência com a renúncia no CIB e a indicação interna de Vezzaro e Zarcos, alinhadas ao “ano de ajuste” e à disciplina de risco, movimento que preserva relacionamentos estratégicos e suporta cross-sell e estruturações de maior retorno ajustado ao capital, elementos críticos para estabilizar o ROE em 2025 dentro das balizas do novo guidance.







