Marfrig Global Foods (MBRF3) reportou no 3T25 lucro líquido de R$ 94 milhões, receita de R$ 41,766 bilhões e EBITDA ajustado de R$ 3,503 bilhões, com margem de 8,4% (10,0% no 3T24). Na comparação anual, a receita avançou 9,2% e o EBITDA recuou 8,6%, enquanto o volume consolidado cresceu 3,7% para 2,101 milhões de toneladas; no 3T24, o lucro havia sido de R$ 248 milhões. Por segmento, BRF registrou receita de R$ 16,283 bilhões e EBITDA de R$ 2,525 bilhões (margem 15,5%, ante 19,2% no 3T24); Beef América do Sul, receita de R$ 5,659 bilhões, volume +17,6% e EBITDA de R$ 628 milhões (margem 11,1%); Beef América do Norte, receita em moeda local de US$ 3,639 bilhões (+12,2%), volume -6,3% e EBITDA de US$ 74 milhões (margem 2,0%), em um trimestre de gado a US$ 236/cwt, drop credit de US$ 11,8/cwt e cutout a US$ 386/cwt (spread 1,64). O fluxo de caixa operacional somou R$ 3,319 bilhões; capex, R$ 1,409 bilhão; despesas financeiras, R$ 1,355 bilhão; e o FCL foi de R$ 555 milhões. A dívida líquida encerrou em R$ 41,349 bilhões após recompras, pagamento de recesso e proventos de R$ 3,846 bilhões.
Os números confirmam a tração do eixo BRF/Halal: recorde de volume em BRF, retomada de exportações de frango para a China, 16 novas habilitações no trimestre e a ampliação da joint-venture Sadia Halal. O movimento dá continuidade ao contrato com a HPDC que estruturou a Sadia Halal e fixou fornecimento em cost plus, ancorando geração de EBITDA próxima de US$ 230 milhões e reduzindo a volatilidade de margem no canal exportador. Ao acelerar licenças e acesso no GCC com um parceiro local, a vertical halal passa a funcionar como amortecedor da ciclicidade do bovino, enquanto a aquisição da Gelprime adiciona capilaridade em value-added e canais, favorecendo o mix e a resiliência da margem consolidada.
Na perspectiva da integração, este resultado consolida a virada operacional iniciada com a reorganização da companhia combinada, refletida em alavancas de compras, logística e precificação. A administração mapeou impacto total de R$ 1,004 bilhão entre 2026 e 2028 e manteve VPL de ~R$ 3 bilhões em sinergias tributárias, além do Programa de Eficiência de R$ 355 milhões, sinalizando execução disciplinada. Essa trajetória é coerente com a nova estrutura executiva após o fechamento da incorporação, que centralizou Finanças/RI e segmentou mercados (Brasil, Internacional e Halal), encurtando o ciclo de captura de valor e amortecendo o choque de custos no ciclo de gado nos EUA ao mesmo tempo em que monetiza a demanda asiática no Mercosul.
No eixo de capital, a disciplina permanece visível: FCO robusto e FCL positivo mesmo após proventos e recompras, com alavancagem em 3,09x. Diferentemente do 3T24, quando a menor intensidade de recompras limitava o consumo de caixa, neste trimestre a companhia absorveu R$ 731 milhões em recompras e preservou liquidez para a integração. A política dá continuidade ao Plano de Recompra de até 25 milhões de ações, que oferece flexibilidade tática para sustentar o retorno por ação durante a materialização das sinergias e ajustar o ritmo conforme a visibilidade de geração de caixa e o pricing do papel ao longo dos próximos trimestres.
No front de governança, há um vetor a monitorar: a abertura do procedimento arbitral CAM 312/25, que questiona deliberações das assembleias de 5/8 e atos subsequentes da incorporação, pode impor revalidações formais mesmo com baixa materialidade financeira direta. Até aqui, a sequência de marcos regulatórios e societários, somada ao avanço organizacional e ao desempenho operacional, sustenta a previsibilidade da integração. Em paralelo, a agenda ESG ganhou tração com 100% de monitoramento por satélite de fornecedores diretos de gado e avanço em indiretos na Amazônia e Cerrado, presença no ISE B3 e melhoras no CSA da S&P e no GHG Protocol (Selo Ouro), reforçando a tese de crescimento sustentável com foco em geração de valor.







