Em 24 de setembro de 2025, a Marfrig Global Foods (MBRF3) aprovou um novo Plano de Recompra de até 25.000.000 ações ordinárias, equivalente a 1,74% do capital total e 3,23% das ações em circulação. O limite regulatório potencial seria de até 10% do free float (77.371.269 ações) segundo a Resolução CVM 77/22, o que evidencia um dimensionamento prudente do programa. As aquisições serão feitas na B3 a preços de mercado e/ou via operações estruturadas (incluindo swap), com horizonte de 18 meses, até 24 de março de 2027. O plano será lastreado por reservas de lucro e capital (excetuadas as vedações do art. 8º, §1º, da Res. 77/22) e pelo resultado realizado do exercício, sem prejudicar obrigações assumidas nem o pagamento de dividendos obrigatórios; as ações recompradas poderão permanecer em tesouraria, ser canceladas, alienadas posteriormente ou destinadas a planos de ações.
Este movimento dá continuidade à agenda de remuneração ao acionista, compondo um mix de instrumentos que alterna previsibilidade (proventos) com flexibilidade tática (recompras). A sinalização de que o programa não conflita com o dividendo obrigatório dialoga com a distribuição recente e reforça disciplina de capital: os dividendos intermediários aprovados em 18 de setembro mostraram confiança na geração de caixa e estabilidade societária pós-incorporação, enquanto o novo plano adiciona opcionalidade para capturar assimetrias de preço ao longo do período de 18 meses. O tamanho de 3,23% do free float, abaixo do teto regulatório, sugere execução calibrada, preservando liquidez para a integração operacional e financeira do grupo combinado.
A decisão também se ancora na fotografia operacional e de balanço apresentada no último trimestre divulgado, quando a companhia evidenciou caixa operacional robusto, FCL recorrente positivo e já vinha utilizando recompras de maneira seletiva. Nos resultados do 2T25, com aprovação societária e estimativa de R$ 485 milhões/ano em sinergias, a Marfrig reportou R$ 3,046 bilhões de geração de caixa operacional, BRF respondendo por 40% da receita consolidada e recompras de R$ 515,3 milhões, além de alavancagem administrável. Esse pano de fundo ajuda a explicar a escolha por um programa de recompra menor que o limite legal: protege a trajetória de integração e, ao mesmo tempo, mantém um mecanismo para aprimorar o retorno por ação conforme a captura de sinergias avance.
Por fim, a recomposição do playbook de capital acontece em paralelo à consolidação organizacional da empresa combinada. A definição da nova estrutura executiva após o fechamento da incorporação da BRF explicitou frentes de captura de valor (compras, logística integrada, inteligência de precificação e segmentação de mercados), reduzindo ciclicidade entre bovinos, aves e suínos. Nesse contexto, a recompras funcionam como alavanca complementar: quando a execução de sinergias e a previsibilidade de caixa se confirmam, a companhia preserva a capacidade de ajustar o ritmo de aquisição em mercado, sustentando a tese de criação de valor por ação sem comprometer o andamento da integração.







