Na quinta-feira, 6 de novembro de 2025, a Embraer aprovou a celebração de contratos de equity swap com o Itaú, referenciados em ações da própria companhia, com liquidação financeira em até 12 meses a partir de 7/11/2025 e exposição máxima de até 10.932.998 ações. Na prática, a Embraer receberá a variação do preço das suas ações (mais proventos) e pagará CDI acrescido de taxa, criando uma proteção contra oscilações da cotação para honrar pagamentos futuros dos planos de incentivo de longo prazo (phantom shares), em linha com a Resolução CVM 77/22.
O movimento dá continuidade à gestão de capital que equilibra retorno ao acionista e neutralidade econômica dos planos de remuneração. Em especial, espelha o escopo e o timing do programa de recompra aprovado em 7/11/2025 (até 10,8 milhões de ações para tesouraria e planos de remuneração). Ao calibrar o swap com exposição próxima ao limite da recompra e janela idêntica, a Embraer combina dois instrumentos complementares: o derivativo protege o custo econômico da obrigação de LTI, enquanto a recompra pode prover liquidez de ações ou reduzir diluição, a depender das condições de mercado e da necessidade de entrega física no futuro. Essa arquitetura preserva flexibilidade tática e permite ajustar a cadência às janelas de volatilidade do papel, mantendo disciplina regulatória sob a CVM 77.
Essa decisão também se apoia em um pano de fundo financeiro mais robusto, com menor alavancagem e rating melhor, que reduz custo de capital e amplia opções para gerir riscos de equity sem pressionar liquidez operacional. Os sinais ficaram claros no resultado do 3T25 com backlog recorde, rating BBB e alavancagem de 0,5x. Em outras palavras, a previsibilidade de geração de caixa e a tração nas unidades de Defesa, Serviços e Aviação Comercial favorecem a adoção de mecanismos de hedge sobre remuneração baseada em ações, mitigando impactos contábeis e de caixa de oscilações abruptas da cotação enquanto o ramp-up industrial avança para 2026. Além de proteger a empresa, o arranjo melhora a visibilidade para investidores sobre a evolução do custo de pessoal ligado a LTI.
Por fim, o swap é mais um capítulo de uma estratégia financeira encadeada que começou pela limpeza do risco de refinanciamento e pelo alongamento da duration. A previsibilidade obtida com o resgate integral das notas 2028 e alongamento da duration via 2038 abriu espaço para que a companhia trate, agora, do componente de risco acionário ligado à remuneração, sem competir por caixa com vencimentos relevantes. Assim, a gestão do passivo (dívida), do patrimônio (recompra) e do risco de equity (swap) formam uma narrativa única: menos incerteza, mais flexibilidade para sustentar o ciclo de crescimento e calibrar o retorno ao acionista.







