A Construtora Tenda (TEND3) reportou no 3T25 lucro líquido de R$ 111,7 milhões, alta de 46,6% sobre o 3T24, apoiado por receita líquida recorde de R$ 1,135 bilhão e EBITDA ajustado também recorde de R$ 187,0 milhões. Em relação ao 2T25, a receita avançou 14,5% e o EBITDA 12,1%. No acumulado de 12 meses, o lucro somou R$ 422,4 milhões, com ROE de 38,9%. Houve geração líquida de caixa de R$ 77,2 milhões (excluindo recompra de ações e aumento de capital na Alea) e a razão dívida líquida corporativa/PL ficou em -15%. O lucro bruto ajustado consolidado foi de R$ 355,2 milhões, com margem de 31,3%. No segmento Tenda, a margem bruta ajustada recorrente (ex-Pode Entrar) atingiu 36,4% e a margem REF ficou em 42,0% (40,0% consolidado).
Operacionalmente, foram 14 lançamentos somando R$ 1,563 bilhão, VSO líquida de 26,6% e repasses de R$ 1,117 bilhão; o banco de terrenos alcançou R$ 26,2 bilhões em VGV, com 72,2% em permutas. Este resultado consolida a virada operacional iniciada na prévia operacional do 3T25, que já destacava aceleração de lançamentos, landbank robusto e repasses fortes. O ganho de escala com tíquete disciplinado, combinado à maior participação de permutas, reduz consumo de caixa e sustenta margens do core, enquanto a Alea, ainda em ajuste (“Freio de Arrumação”), avança em VSO e prepara a verticalização total até o 2T26.
No pilar financeiro, a administração afirma ter endereçado a necessidade de captação até o fim de 2026, amparada por estruturas que casam passivos a DI/IPCA e transformam performance em liquidez. Isso fica evidente com a liquidação da 13ª emissão de debêntures lastreada em CRI, concluída em 31/10, que diversifica indexadores, alonga passivos e encurta o ciclo de caixa via securitização, preservando capital próprio. Na prática, a companhia cria previsibilidade para sustentar obras, repasses e um 4T25 com lançamentos acima de R$ 2 bilhões, sem pressionar o balanço, enquanto administra a curva de maturação da Alea e mantém o foco de rentabilidade no core Tenda. Esse movimento coroa o pipeline anunciado com a aprovação da 13ª emissão em 30 de setembro, desenhada para DI/IPCA e com garantia firme, reforçando coerência entre execução e funding.
Do lado institucional, a previsibilidade de funding e o tom do disclosure reforçam um padrão de governança amadurecido ao longo do semestre: maior independência do board, comitês atuantes, integração com auditoria e processos mais estáveis de comunicação ao mercado. Esse arcabouço reduz ruído, encurta assimetrias e sustenta captações estruturadas a custos aderentes ao risco percebido. A reforma do Estatuto que elevou a independência do Conselho e fortaleceu comitês cria uma camada adicional de oversight que tende a diminuir o prêmio de risco, encadear divulgações mais consistentes e, em última instância, apoiar a manutenção de margens e a aceleração de lançamentos com menor volatilidade financeira.
Quanto ao guidance de 2025, a Tenda projeta margem bruta ajustada de 36,0% a 37,0% no segmento Tenda e de 6,0% a 10,0% na Alea; vendas líquidas de R$ 4,1 a R$ 4,3 bilhões (Tenda) e de R$ 700 a R$ 800 milhões (Alea); além de lucro consolidado de R$ 360 a R$ 400 milhões. A administração reconhece que não espera melhora de margem na Alea no 4T25, o que dificulta o atingimento dessa meta específica; por outro lado, a repetição do lucro do 3T25 no 4T25 colocaria o consolidado no piso do guidance. Em síntese, o 3T25 confirma um core resiliente financiado por estruturas já contratadas, enquanto a Alea segue sob disciplina de caixa rumo à verticalização completa e ao breakeven até 2027.







