Nesta terça-feira, 30 de setembro de 2025, a Construtora Tenda aprovou a 13ª emissão de debêntures simples, não conversíveis, quirografárias, em até quatro séries, a ser colocada de forma privada e vinculada à securitização de CRI estruturada pela Opea Securitizadora. A distribuição pública dos CRI será coordenada pelo Banco Bradesco BBI S.A., em regime de garantia firme, com valor inicial de R$ 300 milhões e possibilidade de aumento em até R$ 75 milhões via bookbuilding. As séries contemplam indexadores DI e IPCA, com tetos de remuneração que variam entre DI+1,05% a.a. e IPCA+1,15% a.a. (base 252 dias úteis), conforme parâmetros de mercado (ANBIMA e DI1-F30). A operação está amparada pela Resolução CVM 160/2022, Resolução CVM 60/2021 e Lei 14.430/2022. A companhia receberá o montante líquido após despesas iniciais e constituição do fundo de despesa, reforçando a liquidez para execução e giro de estoques.
Este movimento dá continuidade à disciplina de capital que a Tenda vem executando ao monetizar recebíveis e alongar passivos via instrumentos estruturados. Em agosto-setembro, a companhia já havia concluído a securitização de recebíveis pró-soluto na 448ª emissão da Opea, com ingresso líquido de R$ 69,3 milhões, evidenciando a estratégia de ring-fencing de riscos e de encurtamento do ciclo de caixa. A 13ª emissão agora amplia esse pipeline com uma combinação de séries atreladas a DI e IPCA, o que diversifica a base de investidores e casa o passivo com os indexadores do crédito imobiliário. O uso de garantia firme pelo BBI reduz risco de execução e tende a comprimir spreads, especialmente em um cenário de percepção de risco em queda para a companhia. Na prática, a Tenda transforma performance operacional em liquidez recorrente, mantendo flexibilidade para sustentar obras, repasses e lançamentos sem pressionar capital próprio.
O reforço de funding é coerente com o guidance revisado em 7 de agosto (vendas até R$ 4,3 bi e margem do core a 36-37%), ao conectar a necessidade de capital de giro à ambição comercial e de rentabilidade do segmento Tenda, enquanto a Alea atravessa fase de estabilização com margens mais conservadoras. Ao ancorar CRI em recebíveis e debêntures em séries calibradas por DI e IPCA, a companhia mitiga volatilidade de custos financeiros e preserva o balanço consolidado, criando folga para a curva de maturação industrial da subsidiária sem contaminar o core. Além de reforçar execução, a operação conversa com a percepção de governança e transparência que a empresa vem fortalecendo; ao elevar a independência do board, formalizar rotinas de auditoria e aperfeiçoar o disclosure, a Tenda melhora acesso e reduz prêmio de risco, como sintetizado na reforma de governança para elevar independência do conselho e fortalecer comitês.







