O 3T25 da Fleury mostrou resiliência operacional com receita bruta de R$ 2,4 bi (+11,5% a/a), EBITDA de R$ 599,4 mi (margem de 27,4%) e lucro líquido de R$ 184,9 mi (margem de 8,4%), apesar do recuo de 3,0% no lucro em base anual, influenciado por taxa efetiva de imposto de 22,8%. O B2C foi o motor do crescimento (R$ 1,7 bi, +16,0%; 12,9% orgânico), com destaque para marcas em SP e regionais, enquanto o B2B (+2,1%) sentiu a saída de um contrato em hospitais, parcialmente compensada por Lab-to-Lab e normalização de exames de toxicologia e dengue. Em Novos Elos, a receita (+3,0%) refletiu maior oferta de infusões e ajuste do Hospital Dia para Medicina Diagnóstica. O capex (R$ 126 mi) privilegiou TI/Digital e eficiência, sustentado por forte geração de caixa (R$ 718,5 mi no trimestre; 91% do EBITDA em 9M25).

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No campo estratégico, a companhia manteve a expansão seletiva com duas aquisições que aprofundam a tese de densificação em São Paulo e especialidades de maior valor agregado: LSL em Rio Claro (múltiplos de 4,5x EV/EBITDA LTM, caindo para 3,4x pós-sinergias) e o FEMME, vertical especializada em saúde da mulher, por 0,7x receita e 5,5x EV/EBITDA 2024 (3,3x com sinergias). A aquisição do FEMME anunciada em 4 de novembro reforça a construção de um ecossistema diferenciado (diagnóstico, terapêutica e vacinação) capaz de elevar recorrência e ticket por paciente, além de capturar ganhos de margem via ocupação, padronização e cross-sell — uma resposta estratégica que equilibra o avanço robusto do B2C com a normalização do B2B e consolida a presença na capital paulista.

Esse movimento se sustenta em disciplina de capital: capex orientado a produtividade, múltiplos de M&A defendidos por sinergias operacionais e financeira, e caixa robusto para integrar sem pressionar a estrutura. A geração de caixa de 91% do EBITDA em 9M25 cria folga para continuar consolidando nichos onde o efeito rede é relevante (p. ex., saúde da mulher) sem sacrificar margens. Tal abordagem está em linha com a governança e o perfil de previsibilidade que ganharam tração com a entrada da Guepardo como acionista relevante em setembro de 2025, reforçando a combinação de crescimento orgânico, aquisições regionais de alto encaixe estratégico e foco em eficiência operacional — pilares que explicam a expansão do B2C e o ajuste tático em Novos Elos (infusões e redesenho do Hospital Dia).

Na comunicação, a administração manteve parcimônia e foco em fatos concretos. O próprio release ressalta a natureza prospectiva de algumas informações e a ausência de obrigação de atualização, coerente com a estratégia de reduzir ruído e preservar opcionalidade. Essa postura ecoa o esclarecimento de 20 de outubro sobre tratativas com a Rede D’Or, quando a companhia reiterou não haver decisões ou compromissos — reforçando que a narrativa é construída por marcos verificáveis, como os M&As recentes. Em síntese, os números do 3T25 sugerem continuidade: B2C acelerando com densidade em SP, B2B ajustado a uma base mais estável e pipeline de integrações com sinergias mensuráveis, sustentado por caixa forte, capex em digital/eficiência e governança que privilegia execução.

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