Pague Menos (PGMN3) aprovou, em 5 de novembro de 2025, um novo programa de recompra de até 6 milhões de ações ordinárias (2,66% do total em circulação), com vigência de 6 de novembro de 2025 a 6 de abril de 2026. As aquisições serão feitas na B3, a preços de mercado, intermediadas pelo BTG Pactual CTVM. O objetivo é dar lastro ao plano de ações restritas, além de permitir manutenção em tesouraria para posterior cancelamento ou alienação. A companhia possui hoje 2.668.088 ações em tesouraria e seguirá os limites da Resolução CVM 77, usando apenas recursos disponíveis.
Estratégicamente, o movimento dá continuidade à arquitetura de capital construída no pós-oferta, ao adicionar uma alavanca de flexibilidade para gestão do capital e de incentivos. A recomposição de caixa e de liquidez desde a oferta precificada a R$ 3,50 e homologação de aumento de capital de R$ 140 mi criou espaço para instrumentos de retorno e para o suprimento do plano de ações restritas com menor risco de diluição. Com a recompra, a companhia adiciona flexibilidade tática para abastecer o plano de ações restritas sem emissão adicional, reduzir eventual diluição, e manter em tesouraria para cancelamento futuro conforme evolução de caixa e condições de mercado. O desenho observa a Resolução CVM 77, limita recursos à disponibilidade e preserva governança de execução por meio do Conselho e da Diretoria.
Na frente operacional, a empresa vem convertendo produtividade em margem e caixa: avanço de vendas em mesmas lojas, perdas em patamar mínimo desde o IPO, disciplina no ciclo de caixa e alavancagem em 2,5x. Essa trajetória foi detalhada nos números do 3T25, com melhora de rentabilidade e sinalização de geração de caixa mais saudável no 4T25, o que abre espaço para uma política de recompras seletiva e aderente ao foco em desalavancagem. Ao priorizar ações em bolsa a preços de mercado, a gestão indica que avaliará janelas de execução com base em retorno marginal, evitando comprometer investimentos em omnicanalidade, dados e produtividade previstos para 2026.
Do ponto de vista societário, a recompra também dialoga com a recomposição da base acionária pós-oferta. A redução da participação da General Atlantic após a liquidação do lote suplementar diminuiu o overhang e aumentou a liquidez do papel; agora, a possibilidade de manter ações em tesouraria permite calibrar o free float na margem, apoiar programas de incentivo e, se oportuno, cancelar papéis para elevar o lucro por ação. Diferentemente do período imediatamente posterior à estabilização, quando o foco era profundidade de mercado, o capítulo atual combina liquidez ampliada com disciplina de retorno ao acionista, em linha com a narrativa de eficiência e criação de valor do ciclo 2025–2027.







