Na quarta-feira, 5 de novembro de 2025, a Eletrobras aprovou R$ 4,3 bilhões em dividendos intermediários, a serem pagos em 19 de dezembro de 2025, com utilização de parte da reserva estatutária apurada em 30 de setembro. Os valores serão considerados, ao final do exercício, como parte do dividendo a ser apurado à conta do resultado de 2025. Somados aos pagamentos de janeiro e agosto, o total distribuído no ano chega a R$ 8,3 bilhões. O montante por ação será de R$ 1,581534687 (PN A), R$ 2,078419036 (PN B) e R$ 1,889535942 (ON e golden share), sujeito a pequenas variações até as datas de corte por efeito do programa de recompra. Na B3, a data de corte é 14/11 e os papéis passam a ex a partir de 17/11; nos ADRs (NYSE), o record date é 17/11 e o pagamento ocorrerá via Citibank a partir de 29/12.

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Este anúncio consolida a disciplina de capital comunicada nos resultados recentes e materializa a proposta de R$ 4,3 bilhões em dividendos no 3T25 — que levava o total do ano a R$ 8,3 bilhões. À época, mesmo com queda a/a no lucro IFRS ajustado por base forte e efeitos de portfólio, a companhia mostrou tração estrutural: transmissão avançou, PMSO recuou e a margem no ACL/MCP melhorou, enquanto um pipeline de 230 empreendimentos com RAP adicional prevista e CAPEX de múltiplos anos ancorava previsibilidade de caixa. Na prática, o dividendo agora aprovado não é episódico: ele dá continuidade a uma régua de remuneração sustentada por receitas reguladas e eficiência operacional, sem comprometer a execução do plano de investimentos.

Esse espaço para remunerar o acionista decorre, também, da reciclagem de capital e da simplificação do portfólio, que reduziram volatilidade e liberaram caixa. Em outubro, a empresa concluiu o encerramento das térmicas com a venda da UTE Santa Cruz à J&F, selando parque 100% renovável e somando R$ 3,6 bilhões em entradas (além de earn-out), o que diminui consumo de capital e melhora o perfil de risco. Essa limpeza de legados reorienta recursos para ativos regulados de 20–30 anos, compatíveis com a manutenção de uma política de dividendos robusta ao mesmo tempo em que se acelera a expansão em transmissão e a execução de projetos críticos para o SIN.

Do lado do funding, a Eletrobras vem alongando o passivo em condições competitivas, casando duration com receitas indexadas típicas da transmissão e preservando alavancagem enquanto cumpre cronogramas de obras. Exemplo é a 8ª emissão de debêntures da Eletronorte, com vencimento em 2035, estruturada sob Lei 12.431 e com garantias da holding, que amplia flexibilidade para investir sem pressionar a distribuição de caixa. Ao combinar geração de caixa regulada e dívida de longo prazo, a companhia equilibra remuneração ao acionista e crescimento. Na mecânica de pagamento, a observação de que o valor por ação pode variar marginalmente até a data de corte por recompras é coerente com a atenção a eventos societários e à base acionária, prática reforçada pelo leilão de sobras decorrente da incorporação da Eletropar, que padronizou direitos e aumentou a precisão nos créditos aos investidores.

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