A Minerva (BEEF3) reportou no 3T25 lucro de R$ 120,0 milhões, receita líquida recorde de R$ 15,5 bilhões, EBITDA de R$ 1,4 bilhão e geração de caixa livre de R$ 2,5 bilhões, com alavancagem líquida em 2,5x (DL/EBITDA LTM). Na comparação anual, a receita avançou 82,5% e o EBITDA 70,8%; frente ao 2T25, alta de 11,5% e 6,6%, respectivamente. A receita bruta somou R$ 16,3 bilhões, com 61% das vendas no exterior. A companhia concluiu a integração das plantas adquiridas antes do previsto; os novos ativos adicionaram cerca de R$ 4,0 bilhões em receita bruta e 147,5 mil toneladas. O SG&A recuou para 9,3% da receita líquida, o menor nível desde o 1T21, e a administração afirmou que os resultados estão alinhados ao guidance de 2025.
Este resultado consolida a virada operacional iniciada com a padronização de processos e a captura de sinergias, em linha com o foco em geração de caixa livre e integração acelerada reiterados no Minerva Day. A trajetória de eficiência aparece na evolução do SG&A/Receita, que passou de 10,1% no 2T25 para 9,3% no 3T25, ao mesmo tempo em que a integração das plantas foi antecipada, reforçando ganhos de escala, disciplina de custos e diluição de despesas. No LTM encerrado em setembro, a receita alcançou R$ 51,3 bilhões e o EBITDA ajustado somou R$ 4,7 bilhões (incluindo um mês pro-forma dos novos ativos), sustentando o compromisso de entregar as metas operacionais e financeiras indicadas para 2025, com maior elasticidade para arbitrar mercados e mix.
A densidade de rotas de exportação ajuda a explicar a combinação de crescimento e margens. O aumento do footprint no eixo Halal/Ásia e as habilitações para exportar à Indonésia ampliaram a capacidade de alocação de volumes com prêmio, melhorando o mix por destino e a velocidade de resposta a janelas de demanda. Com 61% das vendas no exterior no trimestre e abate total de 1,6 milhão de cabeças de bovinos (e 597 mil ovinos na Austrália), a Minerva reforça a tese de múltiplas origens e múltiplos destinos para estabilizar margens ao longo do ciclo pecuário. Esse mosaico de mercados também contribui para reduzir a concentração de riscos e sustentar a captura de sinergias no 4T25, já com as novas plantas plenamente integradas.
Em finanças, o trimestre trouxe fluxo de caixa operacional de R$ 3,4 bilhões, com liberação de R$ 2,5 bilhões no capital de giro — incluindo R$ 1,6 bilhão pela venda de estoques ligados ao mercado norte-americano. Em paralelo, a disciplina de balanço avança com a recompra e cancelamento do Bond 2031 (liability management), que totaliza US$ 384,8 milhões em recompras no ano e reduz alavancagem e despesas financeiras futuras. A posição de caixa encerrou em R$ 14,9 bilhões; 67% da dívida bruta está em dólar e o duration é de 4,2 anos. Desde 2018, a geração acumulada de caixa livre soma R$ 10,9 bilhões, e a estrutura de capital segue sendo reforçada por instrumentos como os bônus de subscrição (5,85 milhões exercidos no 3T25, com R$ 969,3 milhões ainda potenciais até 2028), ancorando custo de capital e resiliência.
No campo regulatório, a empresa aguarda o término dos prazos após a decisão denegatória da COPRODEC sobre a Operação – Uruguai. A negativa reorienta parte do plano de expansão na região, mas encontra uma companhia com maior escala, integração concluída e portfólio diversificado por jurisdições e destinos, o que preserva a opcionalidade para realocar capacidade e priorizar mercados com melhor retorno. A combinação de eficiência operacional, diversificação exportadora e otimização do passivo dá continuidade à estratégia comunicada ao mercado, com a teleconferência de resultados marcada para 6 de novembro de 2025 a fim de detalhar próximos passos e a execução do guidance.







