A Klabin encerrou o 3T25 com receita líquida de R$ 5,426 bilhões (+9% a/a), EBITDA ajustado de R$ 2,117 bilhões (+17% a/a; margem de 39%) e lucro líquido de R$ 478 milhões (-34% a/a). O desempenho setorial mostrou resiliência em papéis e embalagens — volumes e preços sustentados por reajustes desde o 4T24 — compensando parte do vento contrário em celulose, onde preços internacionais (FOEX) recuaram sobretudo em fibra curta na Europa e na China. A produção total avançou 15% a/a e a companhia exercitou flexibilidade ao hibernar máquinas de papel reciclado (MP17 em outubro e MP29 desde julho), preservando margens em mercados mais pressionados; o custo caixa/t caiu 8% vs. 3T24.

Continua após o anúncio

Na alavancagem, a dívida líquida/EBITDA em US$ reduziu para 3,6x (-0,3x vs. 2T25), apoiada por geração de caixa por tonelada de R$ 1.492/t (R$ 1,591 bi no trimestre) e FCL Ajustado de R$ 3,1 bilhões nos últimos 12 meses, com R$ 1,3 bilhão distribuídos em proventos. Este resultado consolida a agenda de desalavancagem e perfilagem de passivos em curso em 2025, exemplificada pelo Term Loan de US$ 150 milhões celebrado em outubro/25, com amortizações no 5º–7º anos e custo de SOFR + 1,61% a.a., que dilui vértices, preserva liquidez e reduz risco de refinanciamento.

Do lado da reciclagem de capital, o trimestre trouxe outras receitas com venda de terras no Projeto Caetê, em linha com a estratégia asset-light de converter parte do landbank em caixa e receitas previsíveis. Ao mesmo tempo, a queda do custo caixa e a tração de papéis/embalagens ancoram o FCF e sustentam disciplina de alocação em um cenário de preços de celulose mais baixos, enquanto paradas gerais ficam concentradas no 4T25. Esse conjunto reforça a folga necessária para decisões oportunísticas de pré-pagamento e trocas de dívida — coerente com o fechamento das SPEs florestais que trouxeram R$ 600 milhões em caixa, que casa prazos com o ciclo florestal e reduz a necessidade de endividamento próprio.

Além do ângulo financeiro, a Klabin passou a integrar a lista de organizações comprometidas com as recomendações da TNFD por meio do Plano de Transição para a Natureza, fortalecendo a narrativa ASG e a elegibilidade a instrumentos sustentáveis. Esse passo se apoia em um arcabouço de governança documental e de responsabilidades construído nos últimos anos, que melhora a qualidade do disclosure e dá previsibilidade a ofertas e parcerias. Nesse sentido, é peça-chave a Política “CA” do Sistema Normativo aprovada em agosto/24, que padronizou níveis, revisões e repositório de normas, criando uma base institucional para finanças sustentáveis e para aderência a frameworks como a própria TNFD. Em conjunto, o 3T25 mostra continuidade: eficiência operacional, desalavancagem com gestão ativa de passivos, monetização de ativos e governança madura convergem para um balanço mais resiliente e um ciclo de crescimento menos intensivo em capital.

Publicidade
Tags: