A Tegma Gestão Logística reportou lucro líquido de R$ 80 mi no 3T25, com receita líquida de R$ 634 mi (+5% a/a) e EBITDA de R$ 117 mi (-7%), levando margens de 18,4% (EBITDA) e 12,6% (líquida). Na Logística Automotiva, a receita subiu 7% para R$ 600 mi, sustentada por maior distância média por veículo e reajustes tarifários, mas o EBITDA recuou 5% (margem de 18,7%) por custos e deduções atípicos. Em Logística Integrada, a descontinuação de um contrato derrubou a receita em 18% (R$ 34 mi) e o EBITDA em 40% (R$ 5 mi). A JV GDL cresceu 9% em receita (R$ 81 mi) e gerou lucro de R$ 16 mi, com rentabilidade pressionada por reajuste de aluguel. Operacionalmente, os veículos transportados caíram 2,6% (198 mil) e o market share foi a 24%, enquanto a distância média avançou 4,6% (1.116 km) com maior peso de vendas para Norte/Nordeste.

Continua após o anúncio

No caixa, o fluxo de caixa livre foi positivo em R$ 15 mi, menor que em 3T24 por maior CAPEX (R$ 19 mi), adiantamento de R$ 10 mi para terreno na Bahia e mais IR (+R$ 14 mi). Com dívida bruta de R$ 85 mi, caixa de R$ 245 mi e dívida líquida negativa de R$ 160 mi, a alavancagem segue confortável (custo da dívida de 1,58% + CDI). Entre os destaques estratégicos, a Tegma firmou contrato com a Omoda Jaecoo, iniciou projeto-piloto de tecnologia híbrida diesel-GNV e anunciou a compra de terreno de ~200 mil m² em Camaçari (BA), movimento que reforça a expansão para o eixo Norte/Nordeste — coerente com o aumento da distância média por veículo. A companhia alerta, contudo, para impacto de curto prazo da interrupção da Toyota em Porto Feliz nos volumes.

A disciplina de capital transparece na aprovação de R$ 63,9 mi em proventos (R$ 0,97/ação), com data de corte em 6/11 e pagamento em 18/11, conforme o detalhamento da distribuição de dividendos e JCP anunciada para o 3T25. Ao mesmo tempo, a posição de caixa líquido permite sustentar o ciclo de investimentos — como Camaçari e novos contratos — sem tensionar a estrutura financeira, equilibrando remuneração ao acionista e crescimento orgânico.

Do ponto de vista de governança, a continuidade dessa agenda — combinação de retorno ao acionista, expansão geográfica e diversificação de clientes — demanda um Conselho ativo e alinhado à estratégia de longo prazo. Após mudanças recentes, a companhia sinaliza foco em eficiência operacional e disciplina de capital, o que sustenta aprovações de projetos e contratos relevantes no trimestre, e prepara a base para 2026. Esse contexto se conecta à recomposição do Conselho de Administração realizada em outubro, quando houve trocas de conselheiros indicadas pela controladora. Ainda que não haja causalidade direta, a atualização da governança cria base para decisões de alocação de capital e acompanhamento de projetos estruturantes, como o hub na Bahia, a parceria com a Omoda Jaecoo e o piloto de eficiência energética.

Publicidade
Tags:
Tegma Gestão LogísticaTGMA3