O 3T25 do Bradesco consolida a virada operacional: lucro líquido recorrente de R$ 6,2 bi (+2,3% t/t; +18,8% a/a) e ROAE de 14,7%, com aceleração de receitas (R$ 35,0 bi, +13,1% a/a) e forte expansão da margem com clientes (R$ 18,6 bi, +19,0% a/a), refletindo spread médio de 9,0% (vs. 8,8% no 2T25). A carteira atingiu R$ 1,034 tri (+9,6% a/a), puxada por PF e MPME, com maior peso de linhas com garantia (59,5%). A inadimplência >90 dias ficou estável em 4,1%, com melhora em MPME e impacto específico do Banco John Deere em PF; o custo de crédito subiu levemente para 3,3% com reforços pontuais. Serviços avançaram e seguros entregaram resultado de R$ 5,7 bi, enquanto a disciplina de custos manteve a eficiência próxima de 50%.
Em capital, o Nível I em 13,4% e o capital principal em 11,4% sustentam a continuidade do retorno ao acionista — inclusive com R$ 3,8 bi em JCP no trimestre — e dão previsibilidade à execução estratégica. Esse quadro reforça o movimento de remuneração consolidado pelo JCP intermediário de R$ 3 bilhões aprovado em setembro, quando o conselho sinalizou confiança na geração de caixa e na qualidade dos resultados. Ao priorizar retorno ajustado ao risco, o banco tem calibrado crescimento em MPME e PF com mais garantias, reduzido carteira reestruturada e ampliado receitas menos intensivas em capital, como serviços e seguros. A abertura de 34 escritórios “Principal”, a intensificação de correspondentes e a evolução do novo App Empresas & Negócios indicam tração comercial, enquanto a meta ESG de R$ 350 bi já foi alcançada antes do prazo, ampliando o acesso a funding e reforçando diferenciação competitiva.
Os números de seguros no trimestre corroboram a estratégia de ecossistema em saúde e proteção, com resultado robusto e ROAE de 22,4% nessa vertical. Esse vetor ganha profundidade com a expansão da parceria Atlântica D’Or com a Rede D’Or, que amplia a integração de cuidados, preserva a disciplina de capital e tende a melhorar a sinistralidade no longo prazo. Ao combinar parcerias operacionais de alta especialização com uma base segurada ampla e canais fortes, o Bradesco cria um círculo virtuoso: diferencia o atendimento, controla custos assistenciais e fortalece receitas recorrentes, sustentando margens e a capacidade de distribuir capital sem comprometer buffers regulatórios.
Em síntese, o 3T25 confirma uma trajetória de normalização de risco e recomposição de rentabilidade, ao mesmo tempo em que aprofunda a transformação comercial e digital. A continuidade dessa agenda — com foco em mix de crédito de melhor qualidade, cross-sell de serviços/seguros e disciplina de provisões — tende a sustentar ROAE ascendente. Pontos de atenção seguem concentrados em casos específicos do atacado e no ciclo do Banco John Deere, mas a combinação de capital robusto, crescimento em linhas garantidas e diversificação de receitas sugere um ciclo mais previsível de geração de caixa e distribuição aos acionistas.







