A Usiminas reportou no 3T25 prejuízo líquido de R$ 3,503 bi, concentrado em efeitos não caixa: impairment de R$ 2,2 bi e avaliação de recuperabilidade de impostos diferidos de R$ 1,4 bi. Por trás desse ajuste contábil, a operação mostrou resiliência: EBITDA Ajustado de R$ 434 mi (margem de 6,6%), alta de 6% t/t, volumes de aço e minério ambos +2% t/t e geração de caixa operacional de R$ 878 mi, com fluxo de caixa livre de R$ 613 mi após CAPEX de R$ 266 mi. O caixa atingiu R$ 6,0 bi, a dívida líquida ficou em R$ 327 mi e a alavancagem em 0,16x. No período, a companhia concluiu o resgate dos bonds 2026 (US$ 206 mi) e recomprou parte da 9ª emissão de debêntures (R$ 160 mi).
Este movimento financeiro consolida a disciplina de balanço e dá continuidade à gestão ativa de passivos vista no resgate antecipado da 9ª emissão de debêntures em 28 de agosto, reforçando a estratégia de reduzir encargos, simplificar o perfil da dívida e preservar liquidez para atravessar um ambiente de demanda ainda irregular. A trajetória, que já havia sido acompanhada por queda de alavancagem e virada do caixa no 2T25, ajuda a amortecer a volatilidade do resultado contábil gerada por ajustes não recorrentes.
Operacionalmente, a Siderurgia reduziu o CPV/ton para R$ 4.982/t (-2,9% t/t) e entregou EBITDA Ajustado de R$ 308 mi (margem de 5,3%), apesar do recuo de preço médio por tonelada no mercado interno (-3,0%) e externo (-8,7%). Na Mineração, as vendas foram de 2,503 mi t, com EBITDA Ajustado de R$ 130 mi (margem de 14%) e CPV/ton de R$ 313,3/t. Para o 4T25, a administração projeta menores volumes de aço, preços estáveis e EBITDA relativamente estável; na mineração, volumes ligeiramente menores. Em conjunto, os números sugerem foco em disciplina de preço e mix, avanço em eficiência de custos e maior conversão de caixa — enquanto o prejuízo do trimestre reflete essencialmente reavaliações contábeis, e não consumo de caixa.
Do lado societário, a estabilidade de capital e governança ganha robustez com a recomposição acionária com entrada de investidores institucionais após a alienação da CSN, movimento que pulveriza o capital e sustenta projetos de longo prazo. Essa base acionária mais estável dialoga com a agenda industrial — como a modernização da coqueria — e cria um pano de fundo favorável para a execução disciplinada no curto prazo e para a captura de ganhos estruturais de custo no médio prazo, alinhando balanço, operação e estratégia.







