A Cosan avançou, na quinta-feira (23/out/2025), para a execução de sua captação ao protocolar pedido de registro automático de oferta pública primária de, inicialmente, 1,45 bilhão de ações ON, com possibilidade de acréscimo de até 25% (Ações Adicionais). Não haverá lote suplementar nem procedimento de estabilização. A alocação prioriza investidores âncora — por meio de uma Nova Holding — e acionistas de longo prazo na base da véspera, enquanto, no varejo, ao menos 10% do total (considerando Ações Adicionais) será destinado à Oferta Não Institucional, com lock-up sobre metade das ações entregues. O preço será definido via bookbuilding com base na cotação na B3 e na demanda; não haverá oferta de ADSs e a emissão de ADSs ficará suspensa por 40 dias após a conclusão. A companhia detalhou ainda as condições da liquidação (até 14/11/2025), o vedamento a short sellers no período de precificação, e a separação em duas janelas de oferta, que, em conjunto, não excederão 2,0 bilhões de ações, o que, a R$ 5,00, poderia somar R$ 10 bilhões em captação.
Este movimento consolida a estratégia iniciada no Acordo de Investimento com investidores âncora e a estrutura das duas ofertas anunciado em 21/09/2025, quando a Cosan desenhou a Primeira Oferta Base de 1,45 bi de ações a R$ 5, a possibilidade de Ações Adicionais, lock-ups e a Segunda Oferta com prioridade a acionistas de 19/09. O protocolo atual operacionaliza esse desenho: dá sequência à AGE que elevou o capital autorizado (até 8,0 bi de ações) e dispensou OPA por atingimento de participação relevante, explicita a ausência de greenshoe, reforça o papel dos âncoras por meio da Nova Holding e mantém o cronograma de liquidação até 14/11/2025. Pela arquitetura previamente apresentada, os recursos visam renegociar e amortizar dívidas, acelerando a desalavancagem e reduzindo risco de refinanciamento, enquanto a submissão do Compromisso de Investimento ao CADE adiciona um trilho regulatório claro, com restrições a direitos políticos até a aprovação.
Estratégicamente, a Cosan sinaliza que escolheu resolver a necessidade de capital no nível corporativo com âncoras de longo prazo e governança reforçada (lock-ups, prioridade a base estável e vedações a curto prazo), preservando opcionalidade sobre eventuais movimentos de portfólio. A separação entre Oferta Institucional e Não Institucional, a alocação preferencial aos âncoras e a suspensão temporária de ADSs tendem a estabilizar a base acionária no curto prazo, ainda que a ausência de lote suplementar implique maior disciplina na formação de preço. Em paralelo, a iniciativa se alinha à avaliação de alternativas para aprimorar a estrutura de capital e à busca por investidores para a Raízen comunicadas em 04/09/2025, compondo uma trilha coerente de disciplina financeira que combina desalavancagem via equity com exploração de parcerias e reciclagem seletiva de ativos.







