Na sexta-feira, 10/10/2025, a Ambipar (AMBP3) informou ter recebido correspondência do controlador Tércio Borlenghi Junior relatando a redução de sua participação direta e indireta de 73,48% para 67,68%. Segundo o controlador, a queda decorre da “excussão irregular” de ações em descumprimento de medida cautelar do TJ-RJ: sua posição teria passado de 1.227.402.390 para 1.130.619.160 ações ordinárias após transferências e vendas realizadas entre 25/09 e 06/10 por Banco Bradesco e Genial/Opportunity. Ele estima perda de valor de mercado de cerca de R$ 20 bilhões e afirma que adotará medidas legais para reversão. O episódio se conecta diretamente ao arcabouço divulgado no Fato Relevante e resposta ao Ofício da B3 em 25/09 sobre a Tutela Cautelar, que enquadrou a comunicação ao mercado naquele momento sensível.
Estratégia e contexto: a Tutela Cautelar de 25/09 foi concebida para conter gatilhos financeiros e criar uma janela de negociação com credores, preservando liquidez e previsibilidade enquanto a companhia redesenha seu passivo. Essa finalidade foi detalhada na liminar em Tutela Cautelar que suspendeu vencimento antecipado e a exigibilidade de obrigações, após efeitos adversos ligados a derivativos atrelados a Green Bonds. À luz desse propósito, a alegada excussão de ações do controlador — além de potencialmente afetar a estabilidade do bloco de controle — tensiona o objetivo de reduzir volatilidade e ruídos durante a fase de liability management, ampliando a relevância de coordenação jurídica e de disclosure tempestivo.
Governança e cadência: antes mesmo deste comunicado do controlador, a companhia já havia ajustado o calendário societário para reduzir sobreposição de eventos materiais. O cancelamento da AGE de 08/10/2025 que pauso a votação da presidência do Conselho sinalizou prudência para sincronizar decisões de governança com a reorganização do passivo e o ambiente regulatório. A mensagem recorrente tem sido limitar ruídos, preservar segurança jurídica e manter previsibilidade do fluxo de informações enquanto se negociam condições com credores.
Capacidade de execução: essa postura dialoga com o reforço institucional que aproximou decisão financeira e comunicação ao mercado. A centralização de Finanças e RI em 22/09 encurtou o ciclo entre deliberação, compliance e disclosure — um arranjo crítico em situações de tutela judicial e negociações complexas. Em conjunto, os movimentos mostram uma narrativa de defesa de liquidez, ordenação de passivos e maior rigor de governança para sustentar a estabilidade societária durante a travessia.







