Em 1º de outubro de 2025, a Orizon (ORVR3) informou que a OMA celebrou contrato para adquirir 100% da G4 – Gestão e Controle de Materiais, proprietária de um aterro sanitário em Regente Feijó (SP), por valor de firma de R$ 40 milhões (sujeito a ajustes de dívidas). O ativo recebe ~10 mil t/mês de resíduos urbanos e gera EBITDA anual entre R$ 7,5 e R$ 8,5 milhões. Integrado ao portfólio de Ecoparques, o aterro amplia a presença no interior paulista, com alcance a municípios do MS e PR, tem potencial de mais que dobrar volumes e vocação para projetos de biometano. A transação prevê earn-out e condições precedentes usuais; com ela, a companhia passará a operar 18 Ecoparques.
Estratégicamente, a aquisição consolida a expansão territorial via Ecoparques e fortalece o vetor de valorização energética do resíduo. O movimento também dá sequência à agenda de crescimento inorgânico comunicada pela administração, coerente com o foco no 2º semestre em maturação de ativos e oportunidades de M&A. Ao entrar na região de Presidente Prudente, a Orizon cria um hub que pode capturar contratos regionais, diluir custos logísticos e acelerar a oferta de soluções combinadas (destinação, energia e créditos ambientais). A escala adicional aumenta o poder de precificação por tonelada, favorece margens e cria base para plantas de biometano com contratos de longo prazo.
No eixo financeiro, a estrutura de capital vem sendo preparada para sustentar esse ciclo de M&A sem pressionar a alavancagem. O desenho com parcela variável (earn-out) protege retorno e alinha incentivos, enquanto a gestão do passivo reduziu custo e alongou prazos — pilares que ampliam a capacidade de investimento durante o ramp-up de projetos. A disciplina foi evidenciada pela conclusão da 6ª emissão de debêntures da OMA, que alongou o perfil até 2035 e reduziu o custo, preservando caixa e mitigando risco de refinanciamento no auge do capex. Somada ao reforço de capital via follow-on no 2T25, essa engenharia cria um binário de funding (equity + dívida mais barata) que dá previsibilidade para consolidar ativos estratégicos como o de Regente Feijó.
Operacionalmente, o novo Ecoparque dialoga com a tese de monetização ambiental: captura de biogás para biometano, venda de energia e geração de créditos de carbono quando aplicável. Esse arcabouço reforça a leitura de solidez de margens e de desalavancagem conforme os projetos entrarem em operação, em linha com a reafirmação do rating 'brAA+' e a projeção de margens acima de 50% apoiadas por biometano e URE Barueri. Em suma, a aquisição é mais um capítulo da estratégia de construir plataformas regionais de resíduos que, além de destinar corretamente, geram energia e valor ambiental — alavancas que sustentam crescimento, reduzem volatilidade e fortalecem a liderança da OrizonVR no setor.







