Em 5 de setembro de 2025, a Construtora Tenda convocou AGE para 7 de outubro a fim de submeter reforma parcial do Estatuto Social com foco em boas práticas de governança: mínimo de 30% de conselheiros independentes, limite de participação simultânea em até cinco boards adicionais, prazo máximo de 12 anos na condição de independente e submissão do Comitê de Auditoria à cláusula de arbitragem. A companhia também reforçou que já pratica rotinas como reuniões trimestrais com auditores, lavratura de atas, composição técnica e independente dos comitês, canal de denúncias com opção de identificação, vedação de acumulação de Chairman e CEO e critérios de independência para administradores.

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Este movimento consolida a agenda de governança que ganhou tração ao longo do ano e responde a lições recentes do próprio conselho, sobretudo após a renúncia de conselheiro independente e membro do Comitê de Auditoria em 31 de julho. Ao elevar o piso de independência do board, limitar assentos cumulativos e instituir mandato máximo para a condição de independente, a Tenda fortalece a renovação saudável e o escrutínio do colegiado. Ao mesmo tempo, o alinhamento do Comitê de Auditoria à arbitragem, a formalização de atas e a cadência de interação com auditores criam salvaguardas processuais que dão previsibilidade e robustez ao oversight.

Do ponto de vista de disclosure, a decisão dialoga com a priorização de qualidade informacional, evidenciada no ajuste do calendário do 3T25 nos termos do Regulamento do Novo Mercado, quando a companhia reposicionou datas para consolidar premissas e padronizar o acabamento das divulgações. Em linha com o espírito do Novo Mercado, a Tenda também destaca a adoção voluntária de política de clawback inspirada na SEC, reforçando accountability dos administradores mesmo sem exigência explícita da CVM. A separação entre Presidente do Conselho e CEO, já vigente, e a composição técnica do Comitê de Auditoria mostram a migração de compromissos táticos para compromissos estruturais.

Além disso, o reforço de governança sustenta decisões de capital que compartilham risco e aumentam a prestação de contas em subsidiárias, como a subscrição minoritária na Alea pelo GKP e reforço de governança. Ao amarrar funding dedicado e ritos de acompanhamento, a companhia preserva o balanço do core e explicita responsabilidades de execução, exatamente o tipo de arquitetura que se beneficia de comitês independentes e de encontros regulares com auditoria. A coerência entre capital, operação e oversight reduz assimetrias de informação e melhora a previsibilidade de margens em ramp-up.

Por fim, um arcabouço mais robusto tende a dialogar com a base acionária institucional: a entrada do JP Morgan a 5% em julho ocorreu em meio à virada operacional e à elevação de credenciais da companhia, sinalizando que governança e performance caminham juntas na precificação de risco. Se aprovadas na AGE de 7 de outubro, as alterações estatutárias consolidam práticas já adotadas e elevam o patamar acima do mínimo regulatório, com potencial de reduzir custo de capital, ampliar o engajamento de stakeholders e dar resiliência a ciclos setoriais.

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