O Conselho de Administração da Irani Papel e Embalagem (RANI3) cancelou 9.328.700 ações em tesouraria, extinguiu o programa de recompra de 22/03/2024 e aprovou um novo Programa de Recompra de Ações 2025, com autorização para adquirir até 9.771.034 ações (10% do free float) na B3, a preço de mercado, entre 25/09/2025 e 25/03/2027. Com o cancelamento, o capital passou a 230.501.219 ações ordinárias; não há ações em tesouraria nesta data e 97.710.340 permanecem em circulação. Sem uso de derivativos, as compras serão intermediadas por BTG Pactual e Santander, com recursos da Reserva de Lucros e do resultado já realizado até 30/06/2025. A companhia afirma que a medida não altera controle/gestão, não prejudica obrigações e não compromete os dividendos obrigatórios; o art. 5º do Estatuto será ajustado em assembleia.

Continua após o anúncio

Na prática, a recomposição do programa e o cancelamento das ações amadurecem a disciplina de alocação de capital: reduzir o número de ações quando há desconto percebido e remunerar o acionista com instrumentos complementares. Este movimento se apoia nos resultados excepcionais do 2T25, com lucro de R$ 112 milhões e avanço de 168,5%, que reforçaram a geração de caixa e a alavancagem sob controle. Ao manter perfil de dívida majoritariamente de longo prazo e dentro da política financeira, a Irani ganhou latitude para recompras sem pressionar liquidez. Além disso, optar por operações à vista, sem derivativos, preserva simplicidade e transparência, reduzindo ruídos operacionais e regulatórios.

Diferentemente de programas defensivos, a companhia explicitou que a recompra não afetará a remuneração mínima, reforçando a coexistência entre retorno e crescimento. Essa diretriz conversa diretamente com o pagamento de dividendos aprovado em agosto com base no 2T25, evidência de que a geração operacional permite sustentar proventos enquanto o conselho calibra recompras ao longo de 18 meses. Ao recomprar abaixo do valor que o management considera justo, a empresa busca capturar valor por ação por meio de redução do denominador, potencialmente elevando métricas como lucro por ação e ROIC no tempo, desde que a tração operacional seja mantida. O prazo estendido também favorece execuções oportunísticas, aproveitando janelas de mercado sem concentrar desembolsos.

Ao mesmo tempo, a decisão preserva espaço para executar o ciclo de investimentos da Plataforma Gaia, eixo central da estratégia até 2030. Em setembro, a Irani aprovou a aprovação do Projeto Gaia V – repotenciação São Luiz, com funding via infraestrutura, reforçando a verticalização energética e a previsibilidade de margens. Ao priorizar linhas de infraestrutura, com prazos longos e spreads competitivos, a companhia casa a maturidade dos passivos ao perfil dos ativos, reduzindo pressão sobre o caixa operacional e permitindo conciliar crescimento e retorno ao acionista. A repotenciação reduz dependência de terceiros e mitiga a volatilidade do insumo energético, sustentando margens e fluxo de caixa futuro; com isso, a empresa aumenta a previsibilidade necessária para calibrar o ritmo das recompras na janela autorizada.

Esse equilíbrio entre investimento e remuneração também se apoia no fortalecimento do perfil de crédito e na credibilidade perante o mercado, como mostra o rating de emissor AA.br atribuído pela Moody’s em agosto. Um custo de capital menor tende a baratear captações para projetos verdes, ampliar acesso a funding e aumentar o valor presente dos fluxos para os acionistas. Em conjunto, resultados sólidos, disciplina financeira e investimentos ancorados em eficiência energética criam o pano de fundo para que a Irani use recompras de forma estratégica: reduzir desconto, suavizar volatilidade e aprofundar a criação de valor de longo prazo.

Publicidade
Tags:
Irani Papel e EmbalagemRANI3